ONU pede US$ 1 bilhão para Fundo Central de Resposta a Emergências 
BR

8 dezembro 2020

Em 2020, Cerf distribuiu mais de US$ 820 milhões para financiar assistência em 52 países; segundo secretário-geral, “um investimento no Cerf é um investimento na humanidade.” 

As Nações Unidas organizaram esta terça-feira um evento de doadores para o Fundo Central de Resposta a Emergências, Cerf. A meta é arrecadar US$ 1 bilhão para o financiamento de assistência em 2021.  

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o Cerf “é rápido, não burocrático e, às vezes, é a única fonte de recursos para uma verdadeira resposta de emergência” porque outros recursos podem chegar tarde demais. 

Projeto de água potável em Dolow, na Somália, que recebeu financiamento do Cerf
Projeto de água potável na Somália que recebeu financiamento do Cerf, PMA/Georgina Goodwin

Importância 

Segundo ele, o Cerf “é o instrumento que permite atuar em crises esquecidas que não atraem financiamento de doadores.” 

Em 2020, o Fundo forneceu um recorde de US$ 225 milhões para 20 crises subfinanciadas e negligenciadas. 

Com o Cerf, o sistema da ONU atua de forma conjunta, desde a análise das necessidades até o planejamento e priorização levando as agências e seus parceiros atuarem de forma rápida e em grande escala. 

Para o secretário-geral, “no caos de uma emergência humanitária, isso faz uma enorme diferença.” 

O subsecretário-geral de Assistência Humanitária, Mark Lowcock, afirmou que “o mundo enfrenta os maiores desafios humanitários em várias gerações.” 

Segundo Lowcock, “nunca se precisou tanto do Cerf como agora” e isso pode ser visto em todos os sítios que ele visita, onde ouve “histórias de pessoas que receberam ajuda devido ao Cerf.” 

2020 

O chefe humanitário, Mark Lowcock alertou para a iminência de “múltiplas” situações de falta de alimentos e fome.
O chefe humanitário, Mark Lowcock, falou no evento, Foto: ONU/Loey Felipe

Em 2020, num ambiente muito difícil, marcado pela pandemia de Covid-19, Guterres disse que o Cerf “foi um sucesso retumbante.” 

O Fundo doou mais de US$ 820 milhões para financiar assistência em 52 países, o valor mais alto já alocado em um único ano. 

Esse apoio permitiu combater a praga de gafanhotos do deserto no Sudeste da África e apoiar quase 600 mil pessoas forçadas a abandonar suas casas na Síria, depois de ataques aéreos.  

O Fundo também foi usado quando um novo surto de ebola surgiu na República Democrática do Congo e ajudou vários países com equipamentos de proteção, estoques em hospitais, cadeias de suprimentos e campanhas de informação. 

À medida que os efeitos da pandemia se acumulavam, o Cerf alocou US$ 220 milhões para 65 milhões de pessoas em 48 países. 

Prevenção 

O Fundo apoia projetos contra violência de gênero e de combate à fome em países da África e do Oriente Médio.  Em 2020, também financiou ações preventivas pela primeira vez ao enviar apoio financeiro para combater a crise alimentar na Somália e contra chuvas recordes em Bangladesh. 

No Bangladesh, fundos ajudaram a prevenir efeitos das cheias
No Bangladesh, fundos ajudaram a prevenir efeitos das cheias, Unfpa

O chefe da ONU contou que, em todo o sistema humanitário, está se formando um impulso para essa abordagem antecipatória. Ele diz que “ajudar as pessoas a agir preventivamente é mais eficaz e mais barato do que responder depois.” 

Financiamento 

Em 2016, a Assembleia Geral endossou o apelo do secretário-geral para elevar a meta de financiamento anual do Cerf para US$ 1 bilhão. 

Em 2019, os Estados-membros e parceiros contribuíram com um recorde de US$ 835 milhões, mas em 2020 apenas US$ 495 milhões foram recebidos. 

Guterres diz que “US$ 1 bilhão é o mínimo para ajudar efetivamente as pessoas presas em emergências.” 

O chefe da ONU também pediu que os doadores façam compromissos por mais do que um ano, dizendo que “o financiamento garantido e previsível permite que o Cerf opere em seu potencial máximo.” 

Segundo Guterres, “um investimento no Cerf é um investimento na humanidade.” 

 

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