8 dezembro 2020

Secretário-geral afirmou que é preciso restaurar rapidamente o Estado de direito e respeito aos direitos humanos; Agência das Nações Unidas para os Refugiados descreve quadro “cada vez mais crítico” no terreno. 

As Nações Unidas estão preocupadas com a violência na província de Tigray, no extremo norte da Etiópia. O local tem sido alvo há mais de um mês de confrontos entre forças regionais e as tropas federais da Etiópia. 

O porta-voz do secretário-geral, em Nova Iorque,  Stephane Dujarric, afirmou que o chefe da ONU, António Guterres, apelou a todos os lados a respeitar totalmente os direitos humanos, promover a coesão social e uma reconciliação inclusiva. 

Acesso  

Dujarric realçou ainda a necessidade de se restabelecer a prestação de serviços públicos e garantir o acesso humanitário irrestrito.  

© AcnurAriane Maxiandeau
Cerca de 500 pessoas fugindo dos confrontos na região de Tigray, no norte da Etiópia, atravessam diariamente a fronteira com o Sudão

 

Ele lembrou o acordo recente entre a organização e a Etiópia para o acesso humanitário a Tigray, enfatizando que este entendimento tem que entrar em ação. 

As Nações Unidas dizem continuar totalmente comprometidas em apoiar a iniciativa da União Africana e dispostas a mobilizar a capacidade total da organização para oferecer apoio humanitário aos refugiados, pessoas deslocadas e toda a população em perigo.  

O secretário-geral disse que este tem sido o tema principal das conversas entre o chefe da organização com representantes da ONU no terreno e com o primeiro-ministro Abiy Ahmed Ali. Os dois líderes conversaram nesta segunda-feira. 

Neutralidade  

No terreno, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur, descreve a situação humanitária como cada vez mais crítica. Um comunicado lançado esta terça-feira pede que os princípios de humanidade, neutralidade, imparcialidade e independência operacional sejam implementados. 

A agência disse lamentar que o acesso humanitário ainda não seja possível, lembrando que faltam informações em tempo real há um mês.  

© Unicef/Tanya Bindra
Unicef distribuiu suprimentos, mas declarou que ainda não é o suficiente

 

A grande preocupação é com a segurança dos refugiados em Tigray. Com a falta de acesso, várias pessoas abrigadas e necessitadas na área não podem ser alcançadas. Cerca de 96 mil refugiados eritreus vivem na região e não podem ser contatados. 

Sudão 

No vizinho Sudão, os refugiados etíopes continuam a chegar numa média entre 400 e 600 por dia. Eles disseram ter havido um aumento no número de postos de controle ao longo do caminho. 

Até o momento, no território sudanês foram registradas 49 mil pessoas que cruzaram a fronteira da Etiópia. 

As representantes especiais do secretário-geral para Crianças e Conflitos Armados, Virgínia Gamba, e para a Violência contra Crianças, Najat Maalla Mjid, expressaram profunda preocupação pela segurança e proteção das crianças afetadas.

O apelo a todas as partes é que façam todo o possível para proteger melhor o grupo e a todos os civis, defender os direitos humanos e garantir o acesso de auxílio humanitário.

Crianças afetadas

As representantes especiais pedem que todos os envolvidos assegurem que as crianças afetadas em Tigray sejam protegidas de todas as formas de violência e abuso.

Entre os delitos estão violência sexual e de gênero, tráfico, recrutamento e uso de menores pelas partes em conflito. Outro apelo é que as partes garantam que as crianças detidas por razões de segurança nacional sejam tratadas como vítimas e de acordo com os padrões de justiça juvenil.

Acnur/Hazim Elhag
A insegurança na região de Tigray, na Etiópia, está levando as pessoas a Hamdayet, no Sudão.

 

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