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Acordo de Paz e Reconciliação foi assinado em Maputo pelo chefe de Estado de Moçambique, Filipe Nyusi, e pelo líder do partido Renamo, Ossufo Momade.

Enviado em Moçambique espera reintegração de ex-guerrilheiros até o Natal  BR

Presidência de Moçambique
Acordo de Paz e Reconciliação foi assinado em Maputo pelo chefe de Estado de Moçambique, Filipe Nyusi, e pelo líder do partido Renamo, Ossufo Momade.

Enviado em Moçambique espera reintegração de ex-guerrilheiros até o Natal 

Paz e segurança

Grupo integrou o maior partido da oposição, Renamo; medida faz parte do Acordo de Paz assinado com o governo em 2019; Mirko Manzoni defende que país carece de apoio para lidar com insurgentes na província de Cabo Delgado.

O enviado pessoal do secretário-geral da ONU a Moçambique está confiante que o processo de desarmamento, desmobilização e reintegração de ex-combatentes do maior partido da oposição, Renamo, termine já este mês. 

Mirko Manzoni acompanha diretamente o processo envolvendo a Junta Militar da Renamo no centro do país. O grupo integra ex-guerrilheiros dissidentes do partido. Dezenas de pessoas morreram após ataques ocorridos na região.  

Interesse  

Manzoni, que foi embaixador da Suíça em Maputo, lembrou que este processo foi definido como prioridade quando ao ser indicado pelo chefe da ONU para seguir a situação na nação de língua portuguesa na África. 

 Em julho de 2019, o secretário-geral António Guterres encontrou-se com o presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, em Maputo, Moçambique
ONU/Eskinder Debebe
Em julho de 2019, o secretário-geral António Guterres encontrou-se com o presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, em Maputo, Moçambique

 

“O secretário-geral tem muita atenção para Moçambique. Temos muitos assuntos no mundo agora. Países com conflitos muito importantes: a Síria, a Líbia, o Iêmen e outros com crises. Mas o secretário-geral, com a decisão de nomear o enviado pessoal, está a mostrar o interesse e a preocupação diretamente por Moçambique. Este é um sinal importante do lado do secretário-geral. Eu vou pessoalmente viajar, na próxima semana, para verificar de uma maneira clara e reportar ao secretário-geral a situação do centro. Eu gosto de ver diretamente o que que está a correr lá nas bases que estamos a desmobilizar e também a situação da população.” 

Vamos tentar concordar sobre uma solução. Eu espero que antes do Natal poderemos resolver este problema da junta

O processo de desmobilização e integração de ex-combatentes faz parte da implementação do novo Acordo de Paz assinado em agosto de 2019 pelo governo e o principal partido da oposição. Antes, o Parlamento moçambicano aprovou uma lei de anistia.  

Para revitalizar o processo de paz, o país realiza reformas das estruturas administrativas. O enviado realçou que este processo tem impacto na estabilidade regional. 

Distúrbios  

“É importante também, porque agora o problema que temos com a junta militar tem de ser resolvido. É um problema que provoca distúrbios em países como Maláui, Zimbabué. O centro do Moçambique é um ponto estratégico para os negócios em geral. Temos de resolver este problema. É um problema completamente político que precisa de muita paciência. Estou a trabalhar com diferentes parceiros. Estou também a negociar diretamente com a junta. E represento nesse sentido as partes, que podem ser o governo e o outro lado a junta. Vamos tentar concordar sobre uma solução. Eu espero que antes do Natal poderemos resolver este problema da junta.” 

Processo de desmobilização e integração de ex-combatentes faz parte da implementação do novo Acordo de Paz
ONU Moçambique
Processo de desmobilização e integração de ex-combatentes faz parte da implementação do novo Acordo de Paz

 

O representante reconheceu dificuldades para lidar com a situação, destacando, no entanto, a carreira como diplomata em terras moçambicanas ajudou a entender a situação.  

Cabo Delgado  

Manzoni defende ainda que o país carece de mais apoio para a situação de insurgência na província de Cabo Delgado, no extremo norte.  

A insegurança marcada por violações dos direitos humanos deslocou até meio milhão de pessoas em três anos. 

Com o aumento do deslocamento há preocupação com crianças e mulheres que deixam áreas de difícil acesso devido à insegurança. Entre as principais necessidades estão alimentos, abrigo e outros itens. 

Dezenas de pessoas sofreram com ataques ocorridos na região central de Moçambique
PMA/Deborah Nguyen
Dezenas de pessoas sofreram com ataques ocorridos na região central de Moçambique