Assembleia Geral reúne cientistas e setor privado para debater vacina para todos
BR

4 dezembro 2020

Segundo e último dia de sessão especial sobre imunização universal contra Covid-19 concentra-se na distribuição de doses, logística e recuperação da pandemia; dentre países de língua portuguesa que discursaram na abertura estão Angola e Brasil; órgão deve emitir declaração final.

Cientistas que participaram da pesquisa sobre as candidatas à vacina contra a Covid-19, representantes da ONU, do setor privado e de governos reuniram-se nesta sexta-feira em Nova Iorque para debater o futuro da imunização contra a pandemia.

Na sessão especial de dois dias, da Assembleia Geral, o presidente da casa, Volkan Bozkir, disse que a crise exige uma abordagem multilateral. Para ele, ninguém estará seguro até que todos estejam protegidos da doença.

ONU/Rick Bajornas
O presidente da Assembleia Geral,Volkan Bozkir, convocou uma sessão especial do órgão para estes 3 e 4 de dezembro

Angola e Brasil

Mais de 100 países já discursaram no evento. Para o encerramento, na noite de sexta-feira, foram inscritos pelo menos 47 oradores.  Na abertura do evento, falaram algumas nações de língua portuguesa incluindo Angola e Brasil.

O presidente de Angola, João Lourenço, explicou a situação no país africano e disse que seu governo tem arcado com a conta da prevenção e tratamento dos casos de Covid-19, mas deve precisar de ajuda internacional para a imunização.

O governo de Angola empregou, até o momento recursos próprios num valor que excede US$ 164,6 bilhões. Deste valor, consta um financiamento emergencial de US$ 14,4 milhões garantidos pelo Banco Mundial. Apesar disso, vai ser necessário maior apoio em especial para o acesso às vacinas que se mostrarem eficazes.

Segundo ele, o país já tem um plano de vacinação que deve cobrir 90% da população prioritária.

Transmissão

Lourenço disse que, atualmente, Angola tem transmissão comunitária do coronavírus apenas na capital do país, Luanda, e em algumas cidades mais populosas. 

Segundo ele, as taxas de novas contaminações têm sido baixas e se mantido estáveis.

Representando o Brasil, o ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo falou em inglês e disse que a responsabilidade de enfrentar a doença não deve ser transferida do nível nacional para o internacional.

Para o chanceler brasileiro, “clichês simpáticos como ‘o mundo precisa de mais multilateralismo ou problemas globais precisam de soluções globais’ não vão resolver o problema”. Para Araújo, os clichês não vão fazer o trabalho, mas sim esforços de coordenação nacional.

Opas/Karina Zambrana
Covax deve entregar os imunizantes nas Américas a partir do final deste mês e durante o próximo

Mercado informal

Ele contou que o Brasil adotou medidas ousadas para responder à crise do novo coronavírus no país. E disse que já foi gasto o equivalente a mais de 8% do Produto Interno Bruto, PIB, para socorrer seus cidadãos com auxílio financeiro, especialmente os que atuam no mercado informal. 

O chanceler lembrou que esta conta é paga pelos contribuintes brasileiros e não por organizações internacionais. O Brasil está participando de consórcio de vacinas da iniciativa Covax, liderado pela Organização Mundial da Saúde, OMS. 

De acordo com o ministro, juntos o Instituto Butantan e a Bio-Manguinhos Fiocruz poderão produzir de 600 milhões a 800 milhões de doses de vacina até meados do próximo ano para imunizar os brasileiros.

A OMS informou que até esta sexta-feira, mais de 1,5 milhão de pessoas tinham morrido de Covid-19 e pelo menos 64,6 milhões haviam sido infectadas em 220 países desde o surgimento do vírus na cidade de Wuhan, na China, há um ano.

 

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