Guterres pede mais cooperação entre ONU e União Africana no Conselho de Segurança 
BR

4 dezembro 2020

Encontro desta sexta-feira debateu parceria entre duas organizações; secretário-geral destacou exemplos de sucesso na Somália e República Centro-Africana, mas disse que é preciso fazer mais; nova iniciativa deve ajudar Moçambique no combate ao terrorismo.  

A cooperação entre a União Africana e as Nações Unidas foi o tema de um encontro esta sexta-feira no Conselho de Segurança.  

Participaram no debate o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, país que preside o Conselho no mês de dezembro, o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahat, e o secretário-geral da ONU, António Guterres.  

Tropas de paz da Missão das Nações Unidas na RD Congo, Monusco, patrulham Ituri.
Tropas de paz da Missão das Nações Unidas na RD Congo, Monusco, patrulham Ituri, Monusco

Cooperação 

Em seu discurso, o chefe da ONU disse que a cooperação entre as duas organizações “nunca foi tão forte.” 

António Guterres destacou o Quadro Comum para a Paz e Segurança e o Quadro Comum para a implementação da Agenda 2063 e da Agenda 2030, adotados em 2018.  

Segundo ele, esta parceria “está profundamente enraizada nos princípios de complementaridade e respeito e na certeza de que nenhuma organização ou Estado pode superar sozinho os problemas do nosso tempo.” 

O chefe da ONU disse que os chefes de Estado e de Governo africanos têm uma visão convincente para a paz e a segurança, através da iniciativa “Silencie as armas”, que as Nações Unidas têm apoiado de várias formas.  

Exemplos 

Guterres destacou ainda as missões políticas especiais e de manutenção da paz da ONU, afirmando que têm produzido resultados em vários países.  

O secretário-geral deu o exemplo da Líbia, onde as partes em conflito assinaram um acordo de cessar-fogo sob os auspícios das Nações Unidas e as negociações políticas foram retomadas. 

Boinas-azuis do Senegal em exercícios da Minusma
Boinas-azuis do Senegal em exercícios da Minusma, by Foto ONU/Gema Cortes

Na República Centro-Africana, a ONU apoia o estabelecimento da Missão de Observação Militar da União Africana e a implementação do Acordo de Paz. No Sudão do Sul, o cessar-fogo está sendo cumprido em grande parte e existe uma melhoria da estabilidade política gerando “um otimismo cauteloso.” 

No Sudão, um novo acordo de paz entre o governo e os movimentos armados é o culminar de um ano de conversações e na Somália a ONU e a UA apoiam a preparação das novas eleições. 

As duas organizações também trabalharam com a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, Cedeao, antes e depois das eleições na Cote d’Ivoire, também conhecida como Costa do Marfim, na Guiné Equatorial e facilitaram a transição de poder no Mali. 

Desafios 

António Guterres afirmou, no entanto, que “apesar desses passos positivos, os desafios são grandes.” 

Ele disse que novos conflitos estão surgindo, a emergência climática é violenta e a pandemia de Covid-19 está exacerbando as fragilidades, afetando desproporcionalmente as mulheres e os mais vulneráveis. 

Como em outras partes do mundo, “a confiança nas instituições públicas está diminuindo, o espaço cívico sendo restringido e as minorias sofrendo ameaças crescentes.” 

Na capital de Cabo Delgado, Pemba, grupo de deslocados devido a atividade terrorista
Na capital de Cabo Delgado, grupo de deslocados devido a atividade terrorista, OIM/Matteo Theubet

Além disso, grupos terroristas e extremistas violentos estão explorando a incerteza criada pela pandemia, como acontece no Sahel e na bacia do Lago Chade. Nessa área do combate ao terrorismo, Guterres deu o exemplo de uma iniciativa em Moçambique.  

O Escritório de Contraterrorismo da ONU está trabalhando com o Centro Africano para Estudos e Pesquisa sobre Terrorismo “para desenvolver opções como parte de um conjunto de projetos interagências da ONU para ajudar Moçambique.” 

Futuro 

Apesar desses esforços, Guterres diz que “é preciso fazer mais.” 

O secretário-geral fez várias propostas para reforçar a parceria, como maior institucionalização da cooperação em todos os níveis, assegurar a previsibilidade do financiamento das operações de paz da União Africana e fazer mais para engajar mulheres e jovens. 

No ano em que a ONU comemora seu 75º aniversário, o chefe da organização disse que a organização está fazendo “uma profunda reflexão sobre a melhor forma de avançar a agenda comum”. Ele disse que conta com a União Africana “para ajudar a mostrar o caminho.” 

 

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