Nigéria: ONU condena “ataque direto mais violento contra civis inocentes” do ano
BR

30 novembro 2020

Pelo menos 43 pessoas morreram no ato ocorrido em Maiduguri, estado de Borno; secretário-geral reafirma apoio ao governo no combate ao terrorismo; chefe humanitário descreve comunidades chocadas com brutalidade no nordeste.

As Nações Unidas pediram “o retorno imediato e seguro das pessoas raptadas e desaparecidas” no ataque do fim de semana contra áreas rurais próximas da cidade nigeriana de Maiduguri. Estima-se que dezenas de pessoas tenham morrido no ato.

Em comunicado divulgado pelo seu porta-voz, o secretário-geral, António Guterres, reafirma o compromisso da organização em apoiar o Governo da Nigéria. As áreas mencionadas são combate ao terrorismo, ao extremismo violento e resposta às necessidades humanitárias urgentes no nordeste.

A vice-secretária-geral da ONUAmina Mohammed fala com menina em Borno, na Nigéria, durante visita este ano.
ONU/Daniel Getachew
A vice-secretária-geral da ONUAmina Mohammed fala com menina em Borno, na Nigéria, durante visita este ano.

Boko Haram

O incidente ocorreu no estado de Borno, quando as vítimas faziam a colheita de produtos na aldeia de Koshobe e em comunidades do governo local de Jere, perto da capital estadual.

De acordo com a ONU, a violência aliada aos choques climáticos agravou a segurança alimentar. Cerca de 10 milhões de pessoas precisam de ajuda e proteção devido à ação dos insurgentes do grupo Boko Haram, que já matou milhares de pessoas e desalojou milhões.

No mais recente ataque, as supostas milícias abordaram e raptaram civis e mulheres. Segundo o coordenador residente e humanitário da ONU na Nigéria, Edward Kallon,  as comunidades rurais estão chocadas com a brutalidade do ataque e temem por sua segurança.

Meninas vítimas do grupo terrorista Boko Haram, caso que gerou comoção mundial em 2014, ainda sofrem com efeitos dos abusos cometidos
Foto: Unicef/UN0126512/Bindra
Meninas vítimas do grupo terrorista Boko Haram, caso que gerou comoção mundial em 2014, ainda sofrem com efeitos dos abusos cometidos

Subsistência

O chefe humanitário descreve o ato como o “ataque direto mais violento contra civis inocentes neste ano”. Ele lamentou o fato do alvo serem agricultores, pescadores e famílias que tentam recuperar os meios de subsistência após mais de uma década de conflito.

Kallon realçou a indignação do sistema das Nações Unidas e da comunidade humanitária com esses atos, porque estas atuam nesses locais para fornecer assistência ao desenvolvimento e salvar vidas dos mais fragilizados em Borno.

O representante destacou que os ataques diretos contra civis inocentes colocam em risco a capacidade das pessoas mais vulneráveis de sobreviver às adversidades que enfrentam para as quais tem sido feito “um grande esforço para aliviar”.

O chefe humanitário termina o comunicado apelando os envolvidos a respeitarem as leis internacionais e humanitárias.
 

 

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