Covid-19 e falta de financiamento ameaçam ganhos no combate à malária 
BR

30 novembro 2020

Em 2019, foram confirmados 229 milhões de casos no globo, uma quantidade praticamente inalterada há quatro anos; doença matou 409 mil no ano passado; Angola e Moçambique entre os mais afetados. 

O progresso contra a malária continua estagnado especialmente em países com alta incidência na África. Lacunas no financiamento estão minando os esforços globais e a pandemia de Covid-19 deve atrasar essa luta ainda mais. 

Estas são conclusões do Relatório Global da Malária, publicado este domingo pela Organização Mundial da Saúde, OMS.  

Mãe e bebé na Beira, em Moçambique, onde criança recebe tratamento contra malária, Unicef/UN0303710/Oatway

Apelo 

Em comunicado, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que “é hora de os líderes de toda a África, e do mundo, enfrentarem mais uma vez o desafio da malária, assim como fizeram quando lançaram as bases para o progresso alcançado desde o início deste século.” 

Em 2000, líderes africanos assinaram a Declaração de Abuja, prometendo reduzir as mortes por malária no continente pela metade ao longo de um período de 10 anos. 

O compromisso político, juntamente com inovações médicas e um aumento no financiamento, criaram um período de sucesso sem precedentes no controle da doença. De acordo com o relatório, 1,5 bilhão de casos e 7,6 milhões de mortes foram evitados desde 2000. 

Na Região das Américas, a incidência de casos caiu 40% entre 2000 e 2019, passando de 1,5 milhão para 900 mil.   

Brasil, Colômbia e Venezuela continuam respondendo por 86% de todas as notificações nessa região. 

Casos 

No ano passado, ocorreram 229 milhões de casos em todo o mundo, uma estimativa que praticamente não muda há 4 anos. Ainda em 2019, a doença matou 409 mil pessoas, 2 mil a menos que no ano anterior. 

A África continua tendo mais de 90% dos casos de malária. Desde 2000, a região reduziu o número de mortes em 44%, de 680 mil para 384 mil, mas o progresso diminuiu nos últimos anos.  

Angola e Moçambique estão na lista das nações mais afetadas. Moçambique representa 4% do total de casos e mortes em todo o mundo, enquanto Angola reúne 3%.  

O déficit de financiamento é uma ameaça nesta luta. Em 2019, foram angariados US$ 3 bilhões, quando a meta era US$ 5,6 bilhões. 

Pandemia 

Mais mulheres na África Subaaariana têm acesso a recursos e tratamentos, Unicef/Josh Estey

De acordo com o relatório, a maioria das campanhas de prevenção conseguiu avançar este ano sem grandes atrasos, apesar da pandemia.  

Garantir o acesso à prevenção da malária acabou ajudando a resposta contra a Covid-19, porque aliviou a pressão sobre os sistemas de saúde. Apesar disso, a OMS está preocupada com interrupções moderadas no acesso ao tratamento, que podem levar a uma perda considerável de vidas. 

O relatório conclui, por exemplo, que uma interrupção de 10% no acesso ao tratamento na África Subsaariana pode levar a 19 mil mortes adicionais. Interrupções de 25% e 50% na mesma região podem resultar entre 46 mil e 100 mil mortes a mais. 

Segundo a diretora-regional da OMS para a África, Matshidiso Moeti, “apesar do impacto arrasador que a Covid-19 teve nas economias africanas, os parceiros internacionais e os países precisam fazer mais para garantir recursos e expandir os programas que fazem uma diferença na vida das pessoas.” 

Resposta 

A agência está promovendo a iniciativa “Alta Carga Para Alto Impacto”, lançada em 2018, que defende respostas personalizadas, com base em dados e informações locais. O programa já está sendo utilizado em 11 países responsáveis por 70% dos casos da doença em todo o mundo, entre eles Moçambique. 

Uma análise recente da Nigéria, por exemplo, descobriu que, usando uma combinação de intervenções, poderia se evitar dezenas de milhões de casos e mortes até o ano de 2023. 

Trabalhadora de saúde prepara teste de malária., OMS/Paho

Embora seja muito cedo para medir o impacto da iniciativa, o relatório conclui que as mortes nos 11 países foram reduzidas de 263 mil para 226 mil entre 2018 e 2019. A Índia continuou a ter ganhos impressionantes, com reduções nos casos e mortes de 18% e 20% nos últimos dois anos 

Houve, no entanto, um ligeiro aumento no número total de notificações de malária entre países que fazem parte da iniciativa, passando de cerca de 155 milhões em 2018 para 156 milhões em 2019. 

Progresso 

De acordo com o relatório, 21 nações eliminaram a malária nas últimas duas décadas. 

Na região do sudeste asiático do Rio Mekong, que inclui Laos e Vietnã, continuam grandes ganhos para eliminar a doença até 2030. 

Apesar desses avanços, muitos países com alto índice estão ficando para trás.  

De acordo com as projeções da OMS, a meta de 2020 para reduções na incidência de casos não será cumprida por 37% e a meta de redução de mortalidade por 22%. 

 

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