Relatório revela que HIV contamina uma criança ou jovem a cada 100 segundos 
BR

25 novembro 2020

Fundo das Nações Unidas para a Infância mostra que, em 2019, quase metade das crianças não tiveram acesso a tratamento essenciais; pandemia piorou desigualdades no acesso a serviços de HIV/Aids para crianças, adolescentes e mulheres grávidas. 

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, no ano passado, uma criança ou jovem com menos de 20 anos foi infectado com HIV a cada 100 segundos.  

Num novo relatório, publicado esta quarta-feira, a agência pede que os governos mantenham e acelerem os esforços para combater o HIV em crianças. 

Agência pede que governos acelerem esforços para combater HIV em crianças, Aliança da Saúde Pública/Ucrânia

Prevenção 

Ações de prevenção e tratamento para crianças permanecem entre os mais baixos. Em 2019, quase metade das crianças em todo o mundo não receberam os antirretrovirais.  

No mesmo ano, 320 mil crianças e adolescentes foram infectados com HIV e cerca de 110 mil crianças morreram de Aids.  

Em comunicado, a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que “as crianças ainda estão se infectando em taxas alarmantes e morrendo de Aids.” 

Segundo ela, esses números são antes “da Covid-19 interromper os serviços vitais de tratamento e prevenção do HIV, colocando inúmeras vidas em risco.” 

Pandemia 

De acordo com o Unicef, a pandemia piorou as desigualdades no acesso a serviços de HIV essenciais a crianças, adolescentes e mães grávidas em todo o mundo. 

Mãe em Mbarara, no Uganda, dando medicamento contra HIV a seus filhos, Unicef/Karin Schermbrucke

Também existem sérias preocupações de que um terço dos países com alta prevalência possam enfrentar interrupções relacionadas ao novo coronavírus. 

Dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, Unaids, citados no relatório, mostram o impacto das medidas de controle, interrupções na cadeia de suprimentos, falta de equipamentos de proteção individual e a realocação de profissionais de saúde. 

Desafios  

Em abril e maio, coincidindo com o pico dos bloqueios para controlar a Covid-19, o tratamento pediátrico do HIV e o teste de carga viral em crianças caíram entre 50 e 70% em alguns países. Já o início de novo tratamento teve uma queda entre 25% e 50%. 

Os partos nas unidades de saúde e pré-natal também caíram entre 20% a 60%. O teste de HIV materno e o início da terapia antirretroviral foram reduzidos de 25% a 50% e os serviços de testagem em bebês, 10%. 

Em 2018, apenas 27% dos bebês expostos ao HIV foram testados para a infecção, Schermbrucker/Unicef

Nos últimos meses, a flexibilização das medidas de controle e o direcionamento estratégico de crianças e mães grávidas levaram a uma recuperação dos serviços. Apesar disso, os desafios permanecem, e o mundo ainda está longe de atingir as metas globais de HIV pediátrico para 2020. 

Regiões 

Apesar algum progresso na luta global contra o HIV/Aids, existem profundas disparidades regionais que persistem entre todas as populações, especialmente para as crianças. 

Na região do Oriente Médio e Norte da África, por exemplo, 81% dos soropositivos infantis recebem terapia antirretroviral. Já na América Latina e Caribe, a porcentagem cai para 46% e África Ocidental e Central para 32%. 

O Sul da Ásia tem uma cobertura de 76%. A África Oriental e Meridional apontam tratamentos para 58% da crianças e a Ásia Oriental e Pacífico para cerca da metade. 

 

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