Apesar de fechamentos pelo mundo, queda de emissões de CO2 durante pandemia não foi suficiente
BR

23 novembro 2020

Apesar de redução de até 17% no auge das medidas de confinamento social, ganhos não são duradouros; Agência da ONU diz que possível queda de 7,5% não será suficiente para baixar gases de efeito estufa na atmosfera. 

As emissões de dióxido de carbono na atmosfera continuam em níveis recordes, mesmo após uma suspensão temporária de atividades industriais por causa da pandemia de Covid-19.   

A informação foi confirmada pela Organização Meteorológica Mundial, OMM. 

Desaceleração 

Queda relacionada aos bloqueios é insignificante em longo prazo,Trinn Suwannapha/Banco Mundial

O Boletim de Gases de Efeito Estufa revela que o nível de CO2 continuou em alta após ter atingido a média global histórica anual de 410 partes por milhão, ppm, no ano passado. 

Este ano, a desaceleração industrial devido à pandemia não reduziu os níveis recordes de gases de efeito estufa. O aquecimento provocado na atmosfera aumenta as temperaturas e leva a condições climáticas extremas, ao derretimento de geleiras, à subida do nível do mar e acidificação do oceano. 

Para a OMM, os bloqueios reduziram as emissões de muitos poluentes e gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono. Mas qualquer impacto nessas concentrações não supera as flutuações normais de ano a ano no ciclo do carbono e nem a alta variabilidade natural nos depósitos naturais de carbono como a vegetação. 

Oceano 

Lagoa glaciar na Islândia, que está derretendo, ONU News/Laura Quiñones

De acordo com o secretário-geral da agência, Petteri Taalas, o CO2 permanece na atmosfera por séculos e no oceano por mais tempo ainda. Ele explicou que a última vez em que a Terra por uma concentração similar de gás carbônico foi entre 3 a 5 milhões de anos atrás, quando a temperatura estava entre 2° a 3° C mais quente e o nível do mar 10 a 20 metros maior do que hoje.  

O especialista adverte, entretanto, que na época “não havia 7,7 bilhões de habitantes” no planeta.  Taalas destaca que o mundo superou o limite global de 400 partes por milhão em 2015, e apenas quatro anos depois supera 410 ppm, um aumento inédito nos registros da OMM.  

Nivelamento  

O chefe da agência da ONU realçou que a queda nas emissões relacionada aos bloqueios é apenas uma pequena mancha no gráfico de longo prazo, sendo necessário um nivelamento sustentado da curva. 

Para ele, a pandemia não é uma solução para as mudanças climáticas, mas fornece “uma plataforma para uma ação climática mais sustentada e ambiciosa para reduzir as emissões a zero por meio de uma transformação completa dos sistemas industriais, de energia e de transporte.  

Taalas disse que não se deve perder tempo considerando as mudanças necessárias “economicamente acessíveis e tecnicamente possíveis e afetariam nossa vida cotidiana apenas marginalmente.” 

Estimativas apontam para redução da emissão global entre 4,2% e 7,5% este ano, NASA

De acordo com o Projeto Carbono Global, emissões diárias de CO2 podem ter sido reduzidas em até 17% globalmente devido ao confinamento da população no período mais intenso de paralisação. 

Impacto  

Estimativas preliminares apontam para uma redução da emissão global anual entre 4,2% e 7,5% este ano. A incerteza sobre a perspetiva da redução total das emissões em 2020 deve-se a falta de clareza sobre a duração e a severidade das medidas de confinamento. 

A OMM explica que de forma geral uma redução de emissões nesse valor não baixará o nível de CO2 atmosférico, mas continuará a subir, embora em um ritmo ligeiramente reduzido em torno de 0,08 a 0,23 ppm por ano. 

O Boletim destaca que esse cenário se encaixa na variabilidade natural de 1 ppm dentro do mesmo ano, significando que no curto prazo o impacto dos confinamentos não pode ser distinguido da variação natural. 

 

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