Guterres diz que vacina contra Covid-19 tem que chegar a todos que precisam 
BR

20 novembro 2020

Secretário-geral falou a jornalistas sobre participação no encontro do G-20, que começa neste sábado na Arábia Saudita; para ele, imunização universal é a única maneira de parar o coronavírus.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que as vacinas contra a Covid-19 são um “raio de esperança”, mas elas precisam chegar a todos.  

Falando a jornalistas, em Nova Iorque, na véspera de participar do G-20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, ele ressaltou que esta não é uma questão de “fazer o bem’”, mas sim “a única maneira de impedir que a pandemia continue seu caminho.” 

Vacinas 

Várias empresas estão testando vacinas contra a Covid-19 em todo o mundo, BioNTech

Guterres destacou o Acelerador ACT e a iniciativa Covax como os dois instrumentos para cumprir o objetivo de uma vacina segura e acessível.  

Nos últimos sete meses, os países investiram US$ 10 bilhões no esforço para desenvolver vacinas, diagnósticos e tratamentos. Mas são necessários ainda US$ 28 bilhões incluindo US$ 4,2 bilhões antes do final deste ano. 

O secretário-geral realçou “mitos” sobre vacinas e “conspirações” em massa que continuam se espalhando nas redes sociais. Segundo ele, “infelizmente, não existe uma vacina para a desinformação.” 

Ele contou que o sistema de comunicação da ONU está trabalhando para aumentar a confiança nas vacinas com conteúdo factual, confiável e persuasivo, usando redes sociais para fortalecer a confiança pública. 

Mudança climática  

Ao falar sobre a ameaça da mudança climática, ele disse que até setembro, os pacotes de resgate dos países do G-20 dedicaram 50% mais fundos para apoiar combustíveis fósseis do que a fontes de energia com baixas emissões de carbono. 

Secretário-geral, em 2018, em Tuvalu, ameaçada por mudança climática, Foto ONU/Mark Garten

O secretário-geral acredita que “é uma loucura pedir dinheiro emprestado para aquecer um planeta” que enfrenta mudança climática. 

Ele disse que sua mensagem principal é simples: o mundo precisa de solidariedade e cooperação. 

Ameaças 

Da saúde à economia ao clima e muito mais, Guterres afirmou que o mundo está enfrentando o maior conjunto de desafios globais em gerações. 

Segundo ele, “as decisões tomadas nos próximos meses moldarão a vida das gerações futuras”, e lembrou que “os trilhões de dólares necessários para a recuperação da Covid-19 são dinheiro que emprestado das gerações futuras.”  

O secretário-geral afirmou que existe a “a oportunidade não simplesmente de reiniciar o mundo, mas de transformá-lo”. Ele avisou, no entanto, que “não existe um momento aAnt perder.” 

António Guterres apontou paradoxo no conflito no Iêmen, YPN/Ocha

António Guterres acredita “firmemente” que “2021 pode ser um ano de grande mudança, que marque um enorme salto em direção à neutralidade de carbono.” 

Ajuda  

Ao responder a uma pergunta sobre a suspensão dos pagamentos da dívida dos países de baixa renda, ele defendeu uma extensão para o pagamento até o fim de 2021. E alertou que “o efeito dominó das falências pode arrasar a economia global” e “não se pode deixar a pandemia de Covid-19 levar a uma pandemia de dívida.” 

Ao falar do conflito no Iêmen, Guterres disse haver um paradoxo.  

Por um lado, “enormes esforços para unir as partes num encontro para assinar um acordo de cessar-fogo que permita o relançamento da economia e o início das negociações de paz.” E, ao mesmo tempo, existe “uma degradação dramática da situação humanitária, com um risco de fome sem paralelo nas últimas décadas.” 

Para o secretário-geral, “isso tem de ser evitado a todo o custo.” 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Unctad: impacto econômico da pandemia deve permanecer mesmo após vacina 

Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento prevê contração econômica de 4,3% este ano e mais 130 milhões de pessoas lançadas na pobreza extrema; agência afirma que crise de saúde “é também catalisador para mudança necessária.”