ONU anuncia US$ 100 milhões para reforçar auxílio em oito crises humanitárias  BR

A ONU alertou que sem ação imediata, a fome é iminente nos próximos meses.
PMA/Marco Frattini
A ONU alertou que sem ação imediata, a fome é iminente nos próximos meses.

ONU anuncia US$ 100 milhões para reforçar auxílio em oito crises humanitárias 

ODS

Chefe humanitário destaca que possível retorno de situações de fome seria imoral; Mark Lowcock defende que Covid-19 não deve ser pretexto para justificar essa situação. 

As Nações Unidas liberaram US$ 100 milhões para a prestação de ajuda em oito crises humanitárias. Os países beneficiários são Afeganistão, Burquina Fasso, República Democrática do Congo, Nigéria, Sudão do Sul, Iêmen e Etiópia. 

O Escritório da ONU para Assistência Humanitária, Ocha, revelou que a meta é fazer chegar apoio alimentar a pessoas que estejam em maior risco de fome por fatores como conflitos, crise econômica, mudança climática e pandemia. 

Fome  

O subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, disse que US$ 80 milhões do Fundo Central de Resposta a Emergências, Cerf, irão para grande parte das crises. Cerca de US$ 20 milhões serão aplicados para prevenir a fome na Etiópia, onde secas ameaçam agravar a situação já considerada frágil. 

Fome ameaça mais de 5 milhões de pessoas no Sudão do Sul

 

A ONU alertou que sem ação imediata, a fome é iminente nos próximos meses em partes de Burquina Faso, nordeste da Nigéria, Sudão do Sul e Iêmen. A situação pode voltar a ser declarada em áreas do Sudão do Sul, que foram afetadas em 2017. 

Lowcock destaca que a possibilidade de se regredir a uma situação onde a fome seja comum “seria imoral e de partir o coração, em um mundo onde há comida mais do que suficiente para todos”. 

Para o subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, o efeito dessa situação são “mortes agonizantes e humilhantes”. Ele realçou que a agitação social alimenta o conflito, a guerra e o deslocamento em massa, cujo impacto “seria arrasador e duradouro nos países”. 

Pandemia  

Lowcock destaca que ninguém deve observar o retorno da fome como “um efeito colateral inevitável desta pandemia”. Para ele, a razão para que isso venha a ocorrer é que o mundo permitiria o retorno de “uma situação que pode ser evitada”.  

Para o coordenador de Assistência de Emergência, é preciso agir a tempo para fazer a diferença. Por agora, Lowcock pede mais fundos para a operação de ajuda, por ser essa “a forma mais rápida e eficiente de apoiar os esforços de prevenção da fome”.  

ONU: a estimativa é de que 85 mil crianças no Iémen tenham perdido a luta contra a fome desde 2015
Unicef/UN0276450/Almahbashi
ONU: a estimativa é de que 85 mil crianças no Iémen tenham perdido a luta contra a fome desde 2015

 

A meta é aplicar o valor em programas como assistência monetária e cupões, considerados uma das “formas mais eficientes, flexíveis e econômicas de auxílio a pessoas que vivem em extrema necessidade”. A prioridade será dada a aqueles que estejam em situação de maior fragilidade, especialmente mulheres e meninas e pessoas com deficiência. 

Na divisão por país, o Afeganistão receberá US$ 15 milhões, o Burquina Fasso  US$ 6 milhões, a RD Congo US$ 7 milhões, o nordeste da Nigéria US$ 15 milhões e o Sudão do Sul US$ 7 milhões. O Iêmen terá US$ 30 milhões. 

Consequências  

Na Etiópia, os cerca de US$ 20 milhões destinados a ações para prevenir a insegurança alimentar e a seca devem cobrir altos níveis de insegurança alimentar aguda.  

A situação foi agravada pela estação chuvosa, agitação civil, a crescente insegurança, as infestações de gafanhotos e as consequências econômicas da pandemia. 

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