Cabo Delgado: violência quadruplicou número de deslocados internos desde janeiro 
BR

17 novembro 2020

Mais de 33 mil moçambicanos fugiram de suas casas somente na semana passada; trabalhadores humanitários estão preocupados com piora da situação, que afeta principalmente crianças e mulheres. 

Dezenas de milhares de pessoas continuam a fugir da violência, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique. A situação tem desafiado a capacidade do governo e de agências humanitárias de atender os deslocados.  

A Organização Internacional para Migrações, OIM, divulgados esta terça-feira, que apenas na semana passada, mais de 33 mil pessoas tiveram que fugir de suas casas para escapar da insegurança. 

Funcionária da OIM apoia população deslocada em Pemba, Helvisney Cardoso, ONU Moçambique

Necessidades 

Segundo a agência da ONU, o número aumentou quatro vezes, passando de 88 mil, em janeiro, para mais de 355 mil. A piora se deve aos ataques de grupos armados de extremistas islâmicos com forças de segurança de Moçambique. 

A chefe da OIM no país, Laura Tomm-Bonde, disse que “os relatos sobre a violência contra civis são profundamente perturbadores.” 

Ela contou que “a equipe da OIM está ajudando milhares de famílias, incluindo muitas com crianças pequenas, a sobreviver ao deslocamento.” 

Mas segundo ela, “os recursos disponíveis não cobrem as extensas necessidades humanitárias das famílias que chegam sem nada.” 

Acesso 

Nas últimas semanas, por causa da insegurança, a OIM não pôde chegar a vários distritos do norte da província e ao longo da costa. 

A agência contou que tem mais de 100 funcionários no terreno e que eles “continuam empenhados em prestar assistência aos deslocados nos oito distritos onde a OIM pode trabalhar.” 

De 16 de outubro a 11 de novembro, mais de 14,4 mil moçambicanos chegaram de barco à praia de Paquitequete, na capital da província, Pemba. Em apenas um dia, atracaram 29 embarcações com deslocados na área.  

Hospital de Macomia na província de Cabo Delgado, onde ocorre a violência, ONU News

Segundo a agência, pelo menos 38 pessoas, incluindo muitas crianças, morreram durante um naufrágio em 29 de outubro. 

Crise 

Uma das pessoas assistidas pela OIM contou que, quando a sua comunidade foi atacada com um incêndio criminoso, a família dela teve que fugir somente com a roupa do corpo. Eles estavam trabalhando no campo e perderam tudo.  

Centenas de famílias continuam sendo abrigadas por outras em Pemba, onde já vivem 100 mil deslocados. Os recursos das comunidades anfitriãs são limitados e falta espaço para acolher todos. 

Outras necessidades urgentes incluem saúde de emergência, proteção e apoio psicológico, acesso a saneamento, água e alimentos. 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Siga-nos no Twitter! Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Michelle Bachelet alerta para “situação alarmante” no norte de Moçambique 

Alta comissária da ONU para os Direitos Humanos destaca violência que causou mais de 350 mil deslocados em três anos; insegurança piorou nas últimas semanas, com relatos de dezenas de decapitações e sequestros no extremo norte.