Total de refugiados no leste do Sudão sobe 10% após confrontos em Tigray
BR

13 novembro 2020

Acnur confirma que mais de 11 mil pessoas atravessaram a fronteira da Etiópia em apenas uma semana; área de destino já acolhe cerca de 100 mil refugiados, a maioria da Eritreia; altos funcionários da ONU alertam sobre risco de genocídio.

A Agência da ONU para os Refugiados, Acnur, disse haver um aumento significativo de requerentes de asilo deixando a região de Tigray, no extremo norte da Etiópia, em direção à fronteira com o Sudão Oriental.

São mais de 11 mil pessoas que atravessaram a área onde ocorrem confrontos entre o Governo Federal etíope e a a Frente de Libertação do Povo Tigray.

Unicef distribuiu suprimentos, mas declarou que ainda não é o suficiente
© Unicef/Tanya Bindra
Unicef distribuiu suprimentos, mas declarou que ainda não é o suficiente

Segurança

Agências de notícias informam que pode haver centenas de mortos, e que existe risco de uma escalada na violência. Segundo a mídia local, as autoridades federais realizaram ataques aéreos agravando a tensão com a força regional do estado etíope.

Para o representante do Acnur no Sudão, Axel Bisschop, essas ações levaram a uma nova vaga de refugiados. Ele realçou que “todos os esforços contam para garantir a segurança de milhares de homens, mulheres e crianças que buscam segurança no Sudão”.

Em parceria com outras agências da ONU, o Acnur apoia o governo sudanês e as autoridades locais na busca de uma resposta urgente.  A ajuda inclui o registro dos recém-chegados e transporte para os centros de receção temporários localizados longe da fronteira e a distribuição de alimentos.

Alta comissária Michelle Bachelet disse que impacto da Covid-19 na saúde está longe chegar ao fim
ONU
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Fronteiras 

A agência também monitora funcionários a situação no limite entre os dois países. 
A rápida escalada de ataques levou a uma necessidade urgente de abrigo, água e alimentos em locais que abrigam refugiados.

O leste do Sudão já acolhe cerca de 100 mil refugiados, a maioria vinda da Eritreia. Os serviços para fornecer bens básicos ao grupo foram interrompidos devido à violência. 

Esta sexta-feira, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, expressou alarme crescente com o rápido agravamento da situação. Há novos relatos de assassinatos em massa na cidade de Mai-Kadra.

Deslocamento 

Ela alertou que se as duas partes continuarem na mesma via “há o risco de a situação sair totalmente fora de controle”, com pesadas baixas, destruição e deslocamento em massa na própria Etiópia e além-fronteiras.

Bachelet pediu um inquérito completo da situação após detalhes não verificados sobre alegados assassinatos em massa relatados pela Amnistia Internacional em Mai-Kadra, no sudoeste de Tigray.

Já o Fundo da ONU para a Infância, Unicef, expressou profunda preocupação com a segurança e o bem-estar das crianças afetadas pelas operações militares em curso.

Em nota, o diretor regional da agência para a África Oriental e Austral, Mohamed Malick Fall, apelou a todas as partes no conflito a aderir ao Direito Internacional Humanitário e proteger as crianças de qualquer perigo. 

Apelo urgente é para que todas as partes no conflito permitam um acesso humanitário
FAO/Filippo Brasesco
Apelo urgente é para que todas as partes no conflito permitam um acesso humanitário

Necessitados 

O Unicef também pediu aos envolvidos que garantam o acesso incondicional e sustentado de agências humanitárias ao terreno para atender os civis necessitados e garantir que as crianças tenham serviços sociais básicos.

Já o Escritório da ONU para os Assuntos Humanitários, Ocha, citou dificuldades de acesso a civis que buscam de proteção porque as linhas de comunicação permanecem cortadas. 

A assistência humanitária a mais de 2 milhões de pessoas foi interrompida e a preocupação é com a falta de avaliação das necessidades que provavelmente serão maiores. 

Há alimentos, suprimentos de saúde e outras mercadorias estagnados em depósitos aguardando entrega imediata em Tigray. O Ocha quer acesso total aos deslocados e às áreas isoladas para avaliar as necessidades e que haja passagem segura de civis em busca de segurança e assistência.

Ódio 

No entanto, novos relatos de incidentes de discurso de ódio com motivação étnica e religiosa levaram a reação da conselheira especial interna para a Prevenção do Genocídio, Pramila Patten, e a conselheira especial sobre a Responsabilidade de Proteger, Karen Smith. 

Ambas destacam ter havido incitamento à violência e graves violações dos direitos humanos, incluindo prisões arbitrárias, assassinatos, deslocamento de populações e destruição de propriedades em várias partes do país.

A nota “condena com veemência” esses relatos de ataques direcionados a civis com base em sua etnia ou religião enfatizando que constituem uma trajetória perigosa. Para elas esses atos aumentam o risco de genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade.
 

 

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