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Em reunião sobre Covid-19 e financiamento, Guterres ressalta relevância do setor bancário  BR

O secretário-geral da ONU, António Guterres, durante uma entrevista para a ONU info na abertura da 75ª Sessão da Assembleia Geral.
Reprodução  António Guterres diz que a relação entre o ar e o mar teve o equilíbrio perturbado pela mudança climática

Em reunião sobre Covid-19 e financiamento, Guterres ressalta relevância do setor bancário 

Assuntos da ONU

Chefe das Nações Unidas enviou mensagem de vídeo à Cúpula sobre Financiamento Comum às margens do Fórum da Paz de Paris; ele acredita que resposta aos desafios atuais exigirá “mobilização sem precedentes” de todos. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que os bancos públicos de desenvolvimento podem ter um papel relevante na recuperação da pandemia e na luta contra a mudança climática.  

O chefe das Nações Unidas discursou, por vídeo, na Cúpula sobre Financiamento Comum realizada durante o Fórum da Paz de Paris. 

Metas 

A enfermeira Eunice Marorongwe verifica o soro intravenoso de um paciente em recuperação da Covid-19 em um hospital do Malawi.
Financiamento é crucial para ODSs, também na área da saúde, by Unicef   

Guterres lembrou o 5º aniversário do Acordo de Paris sobre Mudança Climática e da adoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, dizendo que “essas duas agendas caminham juntas.” 

Segundo ele, “as decisões tomadas agora determinarão o curso dos próximos 30 anos e além.” 

Para cumprir a meta de 1,5° C de aquecimento global, as emissões devem cair pela metade até 2030 e atingir as emissões líquidas zero o mais tardar em 2050. 

O secretário-geral diz que se esses objetivos não forem cumpridos, “as interrupções causadas às economias, sociedades e pessoas” causadas pela Covid-19 serão mínimas em comparação com a crise climática. 

Segundo ele, “isso exigirá uma mobilização sem precedentes de todos.” 

Muitos países já aderiram à meta de emissões zero até 2050. A União Europeia prometeu se tornar o primeiro continente neutro em carbono. Reino Unido, Japão e Coreia do Sul fizeram a mesma promessa como outros 110 países. A China espera chegar lá antes de 2060. 

Isso significa que 50% do Produto Interno Bruto, PIB, mundial e cerca de metade das emissões globais de dióxido de carbono estão agora cobertos por um compromisso desse gênero.  

Financiamento 

António Guterres afirmou, no entanto, que isso ainda não é suficiente e destacou cinco etapas para os bancos de desenvolvimento. 

Primeiro, estas instituições precisam estar alinhadas com os compromissos para chegar à neutralidade do carbono até 2050 e os ODS. Guterres pediu que os Ministros da Fazenda cumpram essa mudança até a COP-26, que acontece no próximo ano.  

Esses bancos também se devem comprometer a abandonar o carvão e eliminar o financiamento de combustíveis fósseis urgentemente.  

Uma grande instalação de painéis solares em uma encosta gramada em uma área rural com montanhas ao fundo.
Mudança climática exige mais investimento em energias renováveis, Pnud Eritrea/Elizabeth Mwaniki

Em segundo lugar, precisam fazer mais para responder às necessidades urgentes causadas por quedas nos fluxos privados e nas receitas públicas, devido ao desaceleramento da economia durante a pandemia. 

Transparência 

Terceiro, Guterres disse que “o financiamento público para o desenvolvimento precisa aumentar dramaticamente o apoio à adaptação e resiliência.” Hoje, mais de 93% de todo o financiamento climático vai para esforços de redução de emissões. 

Em quarto lugar, o secretário-geral destacou a necessidade de mais transparência, para garantir que todas as finanças, públicas e privadas, apoiem ​​os ODS e o Acordo de Paris. 

Por fim, os bancos públicos de desenvolvimento precisam investir em dados e estatísticas que fortaleçam a capacidade dos países em desenvolvimento de tomar as decisões necessárias. 

António Guterres terminou dizendo aos representantes que as suas decisões “enviarão um sinal à comunidade financeira global e aos formuladores de políticas em todo o mundo.” Segundo o chefe da ONU, estes agentes financeiros podem “ajudar a construir as bases de uma nova economia adequada ao século 21.”