Pandemia aumenta casos de fome e movimento de deslocados em todo o mundo  
BR

10 novembro 2020

Novo relatório da ONU revela que Covid-19 agravou situação de insegurança alimentar e vulnerabilidade de migrantes e deslocados; chefe do Programa Mundial de Alimentos diz que impacto socioeconômico da crise de saúde é mais arrasador do que a própria doença. 

Os níveis de fome e deslocamento já estavam em níveis recordes antes da pandemia de Covid-19, mas agora podem aumentar drasticamente com cada vez mais pessoas buscando emprego para sustento de suas famílias. 

A conclusão é de um relatório conjunto da Organização Internacional para Migrações, OIM, e do Programa Mundial de Alimentos, PMA. 

Mulheres e crianças deslocadas no bairro de Alto Gingone, em Pemba, na província de Cabo Delgado
Mulheres e crianças deslocadas em Cabo Delgado, ONU Moçambique/Helvisney Cardoso

Impacto 

A pesquisa mostra como a pandemia aumentou a insegurança alimentar e a vulnerabilidade entre migrantes, famílias dependentes de remessas e comunidades forçadas a deixar suas casas por conflitos, violência e desastres. 

As agências alertam que o custo socioeconômico da pandemia pode ser arrasador. O PMA e a OIM pedem mais apoio para a resposta humanitária e a garantia de que os mais vulneráveis não serão esquecidos. 

O relatório menciona a crise em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, dizendo que conflitos crescentes sugerem que o número de deslocados internos deve aumentar. 

Também realça a turbulência política e econômica na Venezuela, que já causou o deslocamento de mais de 5,4 milhões de pessoas, com a maioria se abrigando em países vizinhos, como Brasil e Colômbia. 

Apelos 

Em comunicado, o diretor executivo do PMA, David Beasley, disse que “o impacto socioeconômico da pandemia é mais arrasador do que a própria doença.” 

Segundo ele, “muitas pessoas em países de rendas baixa e média, que há alguns meses mesmo sendo pobres sobreviviam”, agora tiveram seus meios de sobrevivência destruídos. 

As remessas de trabalhadores no exterior também caíram fazendo disparar as taxas de fome no mundo. 

Família em acampamento de deslocados internos no Iêmen.
Família em acampamento de deslocados internos no Iêmen., YPN/Ocha

Já o diretor-geral da OIM, António Vitorino, contou que “o impacto da crise sobre a saúde e a mobilidade humana ameaça reverter os compromissos globais, inclusive o Pacto Global sobre Migração, e prejudicar os esforços para apoiar aqueles que precisam de assistência.” 

Deslocamento 

A influência da pandemia sobre a segurança alimentar não tem precedentes. 

Medidas implementadas em mais de 220 países e territórios limitaram a mobilidade humana e as oportunidades de trabalho, prejudicando a capacidade dos migrantes e deslocados de pagar por alimentos e outras necessidades básicas. 

 A insegurança alimentar e o deslocamento estão intimamente ligados. A fome é um fator crítico que impulsiona as pessoas a se mudarem. Nove em cada 10 das piores crises alimentares do mundo ocorrem em países com o maior número de pessoas deslocadas internamente. 

Os 164 milhões de trabalhadores migrantes do mundo, especialmente aqueles que trabalham no setor informal, são alguns dos mais atingidos pela pandemia. 

Baixos salários 

Perda em serviços de remessas é arrasadora para as famílias dos migrantes.
Perda em serviços de remessas é arrasadora para as famílias dos migrantes., by ONU

Muitas vezes, estas pessoas trabalham de forma temporária ou sazonal, por baixos salários e sem acesso a sistemas de proteção social. Durante crises econômicas, costumam ser as primeiras a perder seus empregos. 

Ao mesmo tempo, as interrupções no trabalho agrícola podem ter ramificações na produção, processamento e distribuição de alimentos, o que pode afetar a disponibilidade e acessibilidade dos alimentos em nível local e regional. 

Sem uma renda sustentável, muitos migrantes serão pressionados a voltar para casa e causarão, pelo menos, uma queda temporária nas remessas, que fornecem uma tábua de salvação essencial para cerca de 800 milhões de pessoas no mundo. 

Remessas 

O Banco Mundial espera uma queda de 14% nas remessas para países de renda baixa e média até 2021. O PMA projeta que pelo menos 33 milhões de pessoas poderiam ser levadas à fome devido à queda esperada nas remessas. 

As duas agências apelam à comunidade internacional para garantir que todos os esforços sejam feitos para limitar o impacto imediato sobre os mais vulneráveis, garantindo investimentos de longo prazo que garantam um caminho para a recuperação. 

 

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