FAO confirma tendência de alta no preço dos alimentos em outubro 
BR

5 novembro 2020

Agência da ONU diz que produção menor do açúcar no Brasil e na Índia levou a subida de 7,6% no índice de preços; redução na safra de cereais este ano deve atingir recorde; alta mensal foi a quinta consecutiva. 

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, informou que os preços globais dos alimentos continuaram subindo pelo quinto mês consecutivo em outubro. 

Segundo o Índice de Preços de Alimentos da FAO, publicado esta quinta-feira, cereais, açúcar, laticínios e óleos vegetais lideram as subidas. 

Relatório apresenta variações mensais de vários alimentos, Banco Mundial/Maria Fleischmann

Cereais e óleo 

O Índice, que acompanha os preços internacionais das commodities alimentares mais comercializadas, teve uma média de 100,9 pontos em outubro, uma subida de 3,1% em relação a setembro.

E os cereais tiveram uma subida 7,2% em relação ao mês anterior. O aumento foi impulsionado pelos preços do trigo, devido à redução das exportações, más condições de cultivo na Argentina e clima seco afetando Europa, América do Norte e região do Mar Negro.

Os preços do milho, cevada para ração e sorgo também subiram em outubro, enquanto os do arroz diminuíram.

Já o índice do óleo vegetal, ganhou 1,8%, registrando uma alta de nove meses, liderada pelos preços do óleo de palma e de soja. Por outro lado, os preços do óleo de canola diminuíram, com incertezas sobre a demanda na União Europeia.

Laticínios e carne

Em relação aos laticínios, o índice subiu 2,2%. Os maiores aumentos foram do queijo, leite em pó desnatado, leite em pó integral e manteiga, com maior demanda nos mercados da Ásia e do Oriente Médio.  

Uma produção menor de açúcar no Brasil e na Índia, os dois maiores produtores do mundo, causou um aumento de 7,6% no Índice. 

Brasil é mencionado devido a baixa na produção do açúcar, OMS/Christopher Black

Mas uma boa notícia para o consumidor é a redução no preço da carne, uma tendência confirmada nos últimos nove meses. Em outubro, a redução foi de 0,5%, após a carne de porco ter ficado mais barata.  

Recorde 

Apesar de uma redução nas revisões, a produção de cereais ainda deve atingir um recorde histórico esse ano.  

O volume global deve chegar a 2.750 milhões de toneladas, superando a produção de 2019 em 1,6%.  

O consumo mundial de cereais em 2020 e 2021 também deve aumentar, para 2.745 milhões de toneladas, uma alta de 1,9%, principalmente devido ao consumo de trigo na União Europeia. 

A FAO espera que o comércio mundial de cereais aumente 3%, para 451 milhões de toneladas, com expansões previstas para todos os principais cereais, liderado por um aumento previsto de 4,7% no comércio global de grãos grossos. 

 

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