FAO confirma tendência de alta no preço dos alimentos em outubro  BR

Índice está subindo há cinco meses
Unicef/UN0343152/Pazos
Índice está subindo há cinco meses

FAO confirma tendência de alta no preço dos alimentos em outubro 

Assuntos da ONU

Agência da ONU diz que produção menor do açúcar no Brasil e na Índia levou a subida de 7,6% no índice de preços; redução na safra de cereais este ano deve atingir recorde; alta mensal foi a quinta consecutiva. 

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, informou que os preços globais dos alimentos continuaram subindo pelo quinto mês consecutivo em outubro. 

Segundo o Índice de Preços de Alimentos da FAO, publicado esta quinta-feira, cereais, açúcar, laticínios e óleos vegetais lideram as subidas. 

Relatório apresenta variações mensais de grupos de cereais, oleaginosas, laticínios, carne e açúcar.
Relatório apresenta variações mensais de vários alimentos, Banco Mundial/Maria Fleischmann

Cereais e óleo 

O Índice, que acompanha os preços internacionais das commodities alimentares mais comercializadas, teve uma média de 100,9 pontos em outubro, uma subida de 3,1% em relação a setembro.

E os cereais tiveram uma subida 7,2% em relação ao mês anterior. O aumento foi impulsionado pelos preços do trigo, devido à redução das exportações, más condições de cultivo na Argentina e clima seco afetando Europa, América do Norte e região do Mar Negro.

Os preços do milho, cevada para ração e sorgo também subiram em outubro, enquanto os do arroz diminuíram.

Já o índice do óleo vegetal, ganhou 1,8%, registrando uma alta de nove meses, liderada pelos preços do óleo de palma e de soja. Por outro lado, os preços do óleo de canola diminuíram, com incertezas sobre a demanda na União Europeia.

Laticínios e carne

Em relação aos laticínios, o índice subiu 2,2%. Os maiores aumentos foram do queijo, leite em pó desnatado, leite em pó integral e manteiga, com maior demanda nos mercados da Ásia e do Oriente Médio.  

Uma produção menor de açúcar no Brasil e na Índia, os dois maiores produtores do mundo, causou um aumento de 7,6% no Índice. 

Brasil é mencionado no informe pelo impacto da desvalorização da moeda, o real, que afetou a produção do açúcar.
Brasil é mencionado devido a baixa na produção do açúcar, OMS/Christopher Black

Mas uma boa notícia para o consumidor é a redução no preço da carne, uma tendência confirmada nos últimos nove meses. Em outubro, a redução foi de 0,5%, após a carne de porco ter ficado mais barata.  

Recorde 

Apesar de uma redução nas revisões, a produção de cereais ainda deve atingir um recorde histórico esse ano.  

O volume global deve chegar a 2.750 milhões de toneladas, superando a produção de 2019 em 1,6%.  

O consumo mundial de cereais em 2020 e 2021 também deve aumentar, para 2.745 milhões de toneladas, uma alta de 1,9%, principalmente devido ao consumo de trigo na União Europeia. 

A FAO espera que o comércio mundial de cereais aumente 3%, para 451 milhões de toneladas, com expansões previstas para todos os principais cereais, liderado por um aumento previsto de 4,7% no comércio global de grãos grossos.