ONU: preparativos para eleições na República Centro-Africana estão adiantados 
BR

4 novembro 2020

Eleitores vão às urnas em dezembro para escolher novo presidente e membros da Assembleia Nacional; delegação da ONU, União Africana e Ceeac visitou país africano na semana passada para acompanhar processo. 

Uma delegação da ONU, da União Africana e da Comunidade Económica dos Estados da África Central, Ceeac, esteve na República Centro-Africana, RCA, para avaliar os preparativos para as eleições presidenciais e legislativas de 27 de dezembro.  

Em declarações a jornalistas, o subsecretário-geral das Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix, disse que “os preparativos estão adiantados.” 

Jean-Pierre Lacroix e Smail Chergui no aeroporto de Bangui, Minusca/Charles Bambara

Confiança 

Segundo Lacroix, “os eleitores foram registrados em condições muito melhores do que na última eleição, com técnicas sofisticadas e meios para conferir e reavaliar quem está nas listas e quem não está.” 

O chefe das Operações de Paz disse que está “confiante de que o processo pode ser concluído.” 

Para Lacroix, “é essencial” que os cidadãos possam votar. Ele afirmou que “quanto mais forte for a participação, mais o processo terá marcado o alicerce da democracia na RCA e o apego do povo centro-africano ao processo democrático.” 

Já o presidente da Comissão da Ceeac, o embaixador angolano Gilberto da Piedade Veríssimo, disse à ONU News* que “o desejo é que realmente se realizem as eleições”, que são vistas “como o único caminho para que a paz possa voltar a este país.” 

“Foram muitos avanços. O processo de desarmamento está a desenvolver-se, estão registrados cerca de 2 milhões, um pouco mais de 1,8 milhão, de eleitores, quase o mesmo que em 2015, e, portanto, há um avanço. Há um avanço significativo. Há aspetos a resolver, mas está-se no bom caminho.” 

Quanto mais forte for a participação, mais o processo terá marcado o alicerce da democracia na RCA e o apego do povo centro-africano ao processo democrático

Piedade Veríssimo também destacou a importância da estabilidade neste país para os vizinhos. Segundo ele, na RCA “julga-se a questão da paz e segurança na região.”  

“Há um estado de guerra, podemos dizer. Começa a haver intervenções de pessoas que não são nem da região nem da RCA. Começamos a sentir algum efeito de atividade terrorista na região. A RCA pode ser uma porta de entrada para o terrorismo na região. Então viemos aqui com as Nações Unidas, com a União Africana, porque somos o garante do Acordo de Paz e Reconciliação Nacional entre o governo e 14 grupos armados.” 

Durante a visita, os delegados tiveram encontros com o presidente da República e presidente da Assembleia Nacional, o primeiro-ministro e o governo. 

A delegação também se reuniu com partidos políticos, sociedade civil, plataformas religiosas, mulheres líderes e diplomatas. 

Paz 

A RCA tem sofrido com episódios de violência desde 2012. 

Boinas-azuis patrulham nordeste da República Centro-Africana, Foto ONU/Herve Serefio

Combates entre a maioria cristã da milícia anti-Balaka e a coligação rebelde, sobretudo muçulmana, causaram a morte de milhares de pessoas e deixaram dois em cada três civis dependentes da ajuda humanitária. 

Em 2013, grupos armados tomaram a capital e o então presidente François Bozizé foi forçado a fugir. Após um breve período de redução da violência em 2015 e eleições realizadas em 2016, os combates intensificaram novamente no final de 2019. 

Em 6 de fevereiro deste ano, foi assinado o Acordo Político para Paz e Reconciliação entre o governo e 14 grupos armados não-estatais. O tratado permitiu o estabelecimento de um governo no país no final de março. 

As conversações de paz foram conduzidas pela União Africana com o apoio da ONU. 

Há mais de três anos que Portugal contribui com uma força de reação rápida para a Missão da ONU no país, Minusca. Nesse momento, cerca de 180 militares portugueses estão destacados nessa missão.  

*Reportagem da Missão da ONU na República Centro-Africana, Minusca. 

 

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