Prevenir crises de saúde e pandemias é 100 vezes mais barato que remediar 
BR

29 outubro 2020

Novo relatório sobre biodiversidade e pandemias é assinado por 22 especialistas de todo o mundo; agência calcula riscos de infecção por até 850 mil vírus desconhecidos na natureza e pede ações de governos; documento relaciona atividades humanas às pandemias.

Futuras pandemias surgirão com mais frequência, se espalharão mais rapidamente, causarão mais danos à economia mundial e matarão mais pessoas do que a Covid-19. 

Segundo um novo relatório sobre biodiversidade e pandemias, assinado por 22 especialistas de todo o mundo, isso pode ser evitado com uma mudança transformadora na abordagem global para lidar com doenças infecciosas. 

Estima-se que 1,7 milhão de vírus "não descobertos" existam em mamíferos e pássaros, Aiea/Laura Gil

Ameaça 

Os especialistas foram convocados pela Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, Ippbes, na sigla em inglês. 

A Covid-19 é pelo menos a sexta pandemia global de saúde desde a Grande Pandemia de Influenza de 1918.  

Estima-se que outros 1,7 milhão de vírus atualmente "não descobertos" existam em mamíferos e pássaros. Cerca de 850 mil podem ter a capacidade de infectar pessoas. 

Em comunicado, o coordenador da iniciativa, Peter Daszak, afirmou que “não há grande mistério sobre a causa da pandemia de Covid-19 ou de qualquer pandemia moderna.” Segundo ele, “as mesmas atividades humanas que impulsionam as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade também aumentam o risco de pandemia.” 

Pesquisa destaca mudanças como os humanos usam a terra, a expansão e intensificação da agricultura e o comércio, produção e consumo insustentáveis

 

A pesquisa destaca mudanças como os humanos usam a terra, a expansão e intensificação da agricultura e o comércio, produção e consumo insustentáveis. Tudo isso ​​perturba a natureza e aumenta o contato entre vida selvagem, gado, agentes patogênicos e pessoas.  

Soluções 

Segundo o relatório, “a esmagadora evidência científica aponta para uma conclusão muito positiva.” O mundo tem uma capacidade crescente de prevenir pandemias, mas ainda tenta conter e controlar as doenças depois que elas surgem, por meio de vacinas e tratamentos. 

A pesquisa afirma que “escapar da era das pandemias requer um foco muito maior na prevenção, além da reação.” 

Contar essa ameaça apenas com medidas de saúde pública e soluções tecnológicas, em particular desenvolvimento rápido de vacinas e tratamentos, é um “caminho lento e incerto”, que causa sofrimento humano generalizado e custa dezenas de bilhões de dólares em danos econômicos. 

Até junho, a estimativa é que a Covid-19 tenha custado entre US$ 8 a 16 trilhões. Apenas nos Estados Unidos, as perdas podem chegar a US$ 16 trilhões no 4º trimestre de 2021. 

Novas vacinas e tratamentos custam mais do que tentar prevenir, OIM/Abdullah Al Mashrif

Segundo os especialistas, o custo de reduzir os riscos para prevenir pandemias pode ser 100 vezes menor do que os gastos com a resposta. 

Opções  

O relatório oferece várias opções que ajudariam a reduzir os riscos, como o lançamento de um conselho intergovernamental de alto nível sobre prevenção de pandemias. 

O documento recomenda avaliações de impacto em todos os grandes projetos de desenvolvimento e uso da terra e estimuladas mudanças de consumo, como impostos sobre o consumo de carne. 

Os riscos de doenças zoonóticas no comércio internacional de vida selvagem devem ser controlados, usando uma nova parceria intergovernamental e reduzindo ou removendo espécies de alto risco. 

Por fim, deve ser valorizado o envolvimento e o conhecimento dos povos indígenas e das comunidades locais, para melhorar sua segurança alimentar e reduzir o consumo de vida selvagem.

 

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