Aiea alerta para riscos por queda de atendimento a pacientes com câncer  
BR

27 outubro 2020

Agência Internacional de Energia Atômica que tem área dedicada à prevenção e tratamento revela que diagnóstico de câncer caíram em mais da metade em 72 países; redução de profissionais e medo de contágio com Covid-19 estão entre principais motivos. 

A Agência Internacional de Energia Atômica, Aiea, disse que a Covid-19 está limitando os principais serviços de saúde para diagnosticar e tratar doenças crônicas entre elas câncer e cardiopatias.  

O diretor-geral da agência, Rafael Mariano Grossi, alertou que muitos podem morrer especialmente em países de baixa renda por falta de diagnóstico e tratamento.  

Cúpula Mundial da Saúde 

O apelo ocorreu num painel da Cúpula Mundial da Saúde que terminou esta terça-feira, em Berlim, na Alemanha.  O encontro virtual juntou governos, sociedade civil, academia e setor privado. 

Mulheres com câncer recebendo tratamento em hospital da Cidade do México, by Opas

Mariano Grossi contou que em média, os diagnósticos caíram em mais da metade nos 72 países pesquisados. 

A pesquisa sobre o impacto da pandemia nos serviços de medicina nuclear mostrou tendências preocupantes.  

A agência ajuda os países com técnicas de medicina nuclear e de radiação para detectar e tratar cânceres ou ainda para controlar doenças cardiovasculares bem como distúrbios neurológicos e renais. 

Prioridade 

Mariano Grossi disse que embora o combate à Covid-19 continue sendo uma prioridade global, as doenças crônicas, como o câncer, continuam a afligir milhões de pessoas. E por isso é necessário continuar diagnosticando e tratando para que o quadro não piore. 

Realizada entre abril e maio, o estudo indica que a média da queda nos níveis de diagnósticos em 434 centros médicos foi de 54%. 

Fatores como reduções do número de profissionais com a pandemia e a relutância dos pacientes em visitar as clínicas devido ao risco de exposição podem ter levado à redução. 

A pesquisa realça ainda que os serviços para determinar a localização e a disseminação de tumores diminuíram em média 36%. Já os procedimentos para detectar o câncer nos nódulos linfáticos, geralmente o primeiro local onde se detecta a propagação da doença, caíram 45%.  

Pulmão e ossos 

Os exames por imagem para a tireoide caíram em dois terços, enquanto análises para localizar problemas no pulmão e nos ossos também caíram em mais da metade. 

Numa redução consideravelmente notável, as análises de cardíacos baixaram cerca de 66%. Esta situação sugere que os pacientes podem estar atrasando obter atendimento médico a tempo, o que afeta as chances d sobrevivência. 

Mariano Grossi lembrou que a detecção e intervenção tardias podem transformar doenças tratáveis em terminais. 

Paho/Jane Dempster
Investigadoras no Instituto Nacional de Câncer na Colômbia

 

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