Carros usados aumentam poluição em mundo em desenvolvimento 
BR

26 outubro 2020

Origem dos veículos varia entre Europa, EUA e Japão; Novo relatório detalha impactos ambientais da exportação de carros ​​para países de baixa e média renda; frota global está em rápido crescimento é um dos principais contribuintes para a poluição do ar e mudança climática. 

Milhões de carros usados ​​que são exportados da Europa, dos Estados Unidos e do Japão para o mundo em desenvolvimento são de baixa qualidade, aumentando a poluição do ar e limitando os esforços para mitigar os efeitos da mudança climática. 

Essa é uma das conclusões de um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, publicado esta segunda-feira. 

Crescimento 

Entre 2015 e 2018, 14 milhões de veículos ​​foram exportados em todo o mundo, Banco Mundial/Hendri Lombard

A pesquisa mostra que entre 2015 e 2018, 14 milhões de veículos ​​foram exportados em todo o mundo. Cerca de 80% foram para países de rendas baixa e média, sendo que mais da metade para a África. 

O relatório, o primeiro que analisa o tema, apela à ação para preencher o vazio atual adotando padrões de qualidade mínimos para garantir que veículos usados ​​contribuem para frotas mais limpas e seguras nos países importadores. 

A frota global de veículos está em rápido crescimento e é um dos principais fatores que contribuem para a poluição do ar e a mudança climática. 

Impacto  

Em todo o mundo, o setor de transporte é responsável por quase um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa relacionadas à energia. Especificamente, as emissões dos veículos são uma fonte significativa de partículas finas e óxidos de nitrogênio, as principais causas da poluição do ar urbano. 

Em comunicado, a diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, disse que “limpar a frota global de veículos é uma prioridade para atender às metas globais e locais de qualidade do ar e clima.” 

Anderson contou que, ao longo dos anos, os países desenvolvidos exportaram cada vez mais seus veículos usados ​​para os países em desenvolvimento. Segundo ela, “isso acontece em grande parte sem regulamentação.” 

Para Andersen, a falta de normas eficazes está resultando no descarte de veículos velhos, poluentes e inseguros.  

Por um lado, ela disse que “os países desenvolvidos devem parar de exportar veículos reprovados nas inspeções ambientais e de segurança e não são mais considerados em condições de rodagem em seus próprios países.” 

Já os países importadores, devem introduzir padrões de qualidade mais rígidos. 

Regulamentação 

O relatório analisou 146 países e concluiu que cerca de dois terços dos Estados-membros da ONU têm políticas "fracas" ou "muito fracas" para regular a importação destes veículos. 

Por outro lado, quando os governos implementaram medidas sobre o tema, isso dá acesso a veículos usados ​​de alta qualidade, incluindo carros híbridos e elétricos, a preços acessíveis.  

Marrocos, por exemplo, permite apenas a importação de veículos com menos de cinco anos e que cumpram as normas europeias de emissão.  

Inger Andersen alertou para falta de regulamentação, by Pnuma/Cyril Villemain

Importadores e exportadores 

Segundo a pesquisa, os países africanos importaram o maior número de veículos usados, cerca de 40%. A seguir estão países da Europa Oriental com 24%, Ásia-Pacífico, 15%, Oriente Médio, 12%, e América Latina, 9%.  

Através de seus portos, a Holanda é um dos maiores exportadores ​​da Europa. Uma análise recente mostrou que a maioria desses veículos não tinha certificado de inspeção técnica válido. A maioria deles tinha entre 16 e 20 anos e não cumpria os padrões de emissão europeus. 

A idade média dos veículos usados que foram ​​exportados para a Gâmbia, por exemplo, estava perto dos 19 anos. Um quarto dos veículos usados com destino à Nigéria tinha quase 20 anos. 

Em comunicado, a ministra do Meio Ambiente da Holanda, Stientje Van Veldhoven, disse que “esses resultados mostram que ações urgentes precisam ser tomadas para melhorar a qualidade dos veículos usados ​​exportados da Europa.” 

Van Veldhoven afirmou, no entanto, que a Holanda não pode resolver esta questão sozinha. Segundo ela, é necessária “uma abordagem europeia coordenada e a uma cooperação estreita entre os governos europeu e africano.” 

 

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