23 outubro 2020

Estudo da Organização Internacional do Trabalho analisa efeitos da pandemia em 10 países com 75% dos operários têxteis do mundo; região produz roupas de marca internacionais desenhadas na Europa, no Japão ou na América do Norte. 

Os fabricantes de vestuário da Ásia e Pacífico estão sofrendo com os danos causados ​​pela pandemia do coronavírus, segundo a Organização Internacional do Trabalho, OIT. 

A agência da ONU aponta que as restrições e os bloqueios nesses países fizeram cair a demanda internacional por esses produtos. A situação é mais dramática em economias onde o setor têxtil tem grande participação nas exportações. 

Cadeia de fornecimento  

Uma pesquisa sobre o impacto da pandemia se concentrou em 10 grandes países produtores de têxteis na Ásia: Bangladesh, Camboja, China, Índia, Indonésia, Mianmar, Paquistão, Filipinas, Sri Lanka e Vietnam. 

De acordo com a OIT, essas economias concentram cerca de 65 milhões de pessoas operando na indústria têxtil. O número equivale a 75% de todos os trabalhadores têxteis em todo o mundo. 

A agência alerta que as interrupções da cadeia de suprimentos relacionadas à pandemia de Covid-19 podem causar um “efeito cascata” em toda a cadeia de fornecimento. 

Nessa área, os impactos cumulativos da crise são considerados “abrangentes e complexos”. Uma das razões é que além da produção de roupas atender os consumidores domésticos, um grande número de operários têxteis e fabricantes está integrado nas cadeias de abastecimento globais. 

Marcas  

A Ásia produz roupas de marca internacionais concebidas em lugares como Europa, Japão e América do Norte. Os postos de emprego dependem de uma estabilidade na demanda global. 

As estimativas da OIT sugerem que pelo menos metade dos trabalhadores da cadeia de suprimentos de vestuário contribui para a produção de roupas destinadas ao exterior, e não para o consumo doméstico. 

Além disso, os funcionários e fabricantes da indústria dependem de um fluxo confiável de matérias-primas e insumos para a produção, que são frequentemente adquiridos de fornecedores estrangeiros. 

Uma simples operária deste setor da região perdeu pelo menos duas a quatro semanas de trabalho e viu apenas 60% dos colegas retornar à fábrica.

Um dos problemas é que as grandes marcas têm insistido por mais tempo para cumprir os termos de pagamento. Mais de 57% dos fornecedores receberam solicitações do comprador para estender esses prazos além do padrão de 45 dias. 

Exportações  

O estudo destaca que a queda no comércio global de têxteis ocorreu na primeira metade do ano. As exportações para as principais regiões compradoras da União Europeia, dos Estados Unidos e do Japão caíram até 70%.  

Ao mesmo tempo, as cadeias de abastecimento dos fabricantes foram interrompidas, com a escassez de algodão, de tecidos e outros materiais necessários. O impacto da situação na indústria têxtil afetou de forma negativa o trabalho e o rendimento.  

De acordo com a Agência da ONU, milhares de fábricas foram fechadas, inicialmente por causa das regulamentações para combater a pandemia. 

Mulheres  

O diretor do Escritório da OIT para a Ásia e Pacífico, Christian Viegelahn,  explicou que uma simples operária deste setor da região perdeu pelo menos duas a quatro semanas de trabalho e viu apenas 60% dos colegas retornar à fábrica na reabertura. 

O impacto das perdas foi mais significativo em mulheres. Em Bangladesh, o rendimento médio mensal dos funcionários têxteis caiu quase pela metade entre abril e maio, de cerca de US$ 113 para apenas US$ 65 por mês. 

Banco Mundial/ Chhor Sokunthea
Milhares de fábricas foram fechadas, inicialmente por causa das regulamentações para combater a pandemia.
Milhares de fábricas foram fechadas, inicialmente por causa das regulamentações para combater a pandemia., by Banco Mundial/ Chhor Sokunthea

 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud