Cartas de líderes africanos pedem mais fundos para transformar economias rurais 
BR

19 outubro 2020

Chefes de Estado de 10 países apoiam mais financiamento ao Fida até 2024; nova injeção de fundos poderia liberar bilhões de dólares e beneficiar sistemas alimentares; Angola participa na série de cartas chamando a atenção para cenário de conflitos, mudanças no clima, pragas e impacto da Covid-19 na região.

O presidente de Angola juntou sua mensagem com a de outros chefes de Estado africanos em cartas em favor do fim da fome e pobreza rural. João Lourenço está entre os líderes regionais que pedem mais investimentos ao Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Fida.

O apelo divulgado esta segunda-feira foi feito pelos 10 presidentes africanos realçando que, se isso não acontecer, “serão colocadas em risco as metas do Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para acabar com a pobreza e a fome”, especialmente na região africana.

João Lourenço é um dos chefes de Estado que pede mais apoio para o Fida, ONU News

Clima, pagra e Covid-19

Os líderes endossam a visão do Fida sobre “comunidades rurais vibrantes” com pessoas vivendo livres da pobreza e da fome. O continente apresenta o dobro da escala mundial da insegurança alimentar em meio a conflitos, mudanças no clima, pragas e impactos socioeconômicos da Covid-19.

As cartas em favor da agência que combate a pobreza e a fome rural também foram escritas pelos presidentes de países como Benin, Burquina Fasso, Côte d'Ivoire, Etiópia, Gâmbia, Quênia, Senegal, Serra Leoa e Togo. As mensagens são dirigidas aos homólogos da Europa, América do Norte, Oriente Médio, Ásia e Oceania.

Para os chefes de Estado, o investimento feito para a construção da resiliência da população rural “é agora mais importante do que nunca para garantir o abastecimento de alimentos e salvaguardar a subsistência rural”. 

Outras metas são garantir que “o progresso feito ao longo dos anos não seja perdido e evitar que mais pessoas no meio rural sejam lançadas à pobreza e fome”.

Empréstimos 

Os líderes africanos pedem um aumento significativo nas contribuições para a duodécima reposição dos recursos do Fida

Os líderes africanos pedem um aumento significativo nas contribuições para a duodécima reposição dos recursos do Fida. Com a sigla Ifad12, o plano pretende ajudar a agência a atingir as metas fornecendo empréstimos concessionais e doações aos países em desenvolvimento.

Para a vice-presidente do Fida para Relações Externas e Governança, o apoio dos líderes africanos testemunha “o real impacto” da agência nas vidas e nos meios de subsistência da população rural desses países.

Marie Haga realça que é importante investir nas áreas rurais “para alcançar a segurança alimentar nacional, a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento econômico, com impacto monumental na estabilidade e resiliência global”.

A agência estima que três quartos das pessoas mais pobres do mundo vivem em áreas rurais e dependem da agricultura e atividades relacionadas para sua subsistência. 

Investimentos 

Os chefes de Estado destacam “o imenso potencial da agricultura africana” e dizem que investir no setor “é uma das formas mais eficazes de reduzir a pobreza”. A agência quer dedicar mais de metade dos US$ 10 bilhões planeados para o período entre 2022 e 2024 em investimentos para a África.

Agricultora da província angolana do Huambo recebe mensagens sobre propagação da Covid-19., by FAO/Celestino Vonjila Essuvo

A estimativa é que o valor ajude 140 milhões de pequenos produtores a aumentar sua produção, permita melhorar o acesso aos mercados e  à resiliência, contribuindo para criar empregos e melhorar a segurança alimentar e nutricional.

Os líderes defendem que uma reposição bem-sucedida de recursos pode desbloquear bilhões de dólares em financiamento para transformar as economias rurais e os sistemas alimentares em todo o mundo.

Impacto 

A injeção de fundos também poderia permitir que o impacto da Fida aumentasse para o dobro até 2030 contribuindo para acabar com a pobreza e a fome.

O apelo dos chefes de Estado ocorre num momento em que a região se ressente dos efeitos socioeconômicas da pandemia e o impacto da seca prolongada e da infestação de gafanhotos. 

 

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