Cartas de líderes africanos pedem mais fundos para transformar economias rurais  BR

Mulheres que pertencem a cooperativa de agricultores, no Quênia, apanham feijão
FAO/Luis Tato
Mulheres que pertencem a cooperativa de agricultores, no Quênia, apanham feijão

Cartas de líderes africanos pedem mais fundos para transformar economias rurais 

Desenvolvimento econômico

Chefes de Estado de 10 países apoiam mais financiamento ao Fida até 2024; nova injeção de fundos poderia liberar bilhões de dólares e beneficiar sistemas alimentares; Angola participa na série de cartas chamando a atenção para cenário de conflitos, mudanças no clima, pragas e impacto da Covid-19 na região.

O presidente de Angola juntou sua mensagem com a de outros chefes de Estado africanos em cartas em favor do fim da fome e pobreza rural. João Lourenço está entre os líderes regionais que pedem mais investimentos ao Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola, Fida.

O apelo divulgado esta segunda-feira foi feito pelos 10 presidentes africanos realçando que, se isso não acontecer, “serão colocadas em risco as metas do Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para acabar com a pobreza e a fome”, especialmente na região africana.

O presidente de Angola, João Lourenço, discursou esta terça-feira no primeiro dia do debate de alto nível da 75ª sessão da Assembleia Geral.
João Lourenço é um dos chefes de Estado que pede mais apoio para o Fida, ONU News

Clima, pagra e Covid-19

Os líderes endossam a visão do Fida sobre “comunidades rurais vibrantes” com pessoas vivendo livres da pobreza e da fome. O continente apresenta o dobro da escala mundial da insegurança alimentar em meio a conflitos, mudanças no clima, pragas e impactos socioeconômicos da Covid-19.

As cartas em favor da agência que combate a pobreza e a fome rural também foram escritas pelos presidentes de países como Benin, Burquina Fasso, Côte d'Ivoire, Etiópia, Gâmbia, Quênia, Senegal, Serra Leoa e Togo. As mensagens são dirigidas aos homólogos da Europa, América do Norte, Oriente Médio, Ásia e Oceania.

Para os chefes de Estado, o investimento feito para a construção da resiliência da população rural “é agora mais importante do que nunca para garantir o abastecimento de alimentos e salvaguardar a subsistência rural”. 

Outras metas são garantir que “o progresso feito ao longo dos anos não seja perdido e evitar que mais pessoas no meio rural sejam lançadas à pobreza e fome”.

Empréstimos 

Os líderes africanos pedem um aumento significativo nas contribuições para a duodécima reposição dos recursos do Fida

Os líderes africanos pedem um aumento significativo nas contribuições para a duodécima reposição dos recursos do Fida. Com a sigla Ifad12, o plano pretende ajudar a agência a atingir as metas fornecendo empréstimos concessionais e doações aos países em desenvolvimento.

Para a vice-presidente do Fida para Relações Externas e Governança, o apoio dos líderes africanos testemunha “o real impacto” da agência nas vidas e nos meios de subsistência da população rural desses países.

Marie Haga realça que é importante investir nas áreas rurais “para alcançar a segurança alimentar nacional, a sustentabilidade ambiental e o desenvolvimento econômico, com impacto monumental na estabilidade e resiliência global”.

A agência estima que três quartos das pessoas mais pobres do mundo vivem em áreas rurais e dependem da agricultura e atividades relacionadas para sua subsistência. 

Investimentos 

Os chefes de Estado destacam “o imenso potencial da agricultura africana” e dizem que investir no setor “é uma das formas mais eficazes de reduzir a pobreza”. A agência quer dedicar mais de metade dos US$ 10 bilhões planeados para o período entre 2022 e 2024 em investimentos para a África.

No caso de Angola, o Investimento Direto Estrangeiro continuou tendo um comportamento atípico
Agricultora da província angolana do Huambo recebe mensagens sobre propagação da Covid-19., by FAO/Celestino Vonjila Essuvo

A estimativa é que o valor ajude 140 milhões de pequenos produtores a aumentar sua produção, permita melhorar o acesso aos mercados e  à resiliência, contribuindo para criar empregos e melhorar a segurança alimentar e nutricional.

Os líderes defendem que uma reposição bem-sucedida de recursos pode desbloquear bilhões de dólares em financiamento para transformar as economias rurais e os sistemas alimentares em todo o mundo.

Impacto 

A injeção de fundos também poderia permitir que o impacto da Fida aumentasse para o dobro até 2030 contribuindo para acabar com a pobreza e a fome.

O apelo dos chefes de Estado ocorre num momento em que a região se ressente dos efeitos socioeconômicas da pandemia e o impacto da seca prolongada e da infestação de gafanhotos.