16 outubro 2020

ONU aponta recorde de 7,2 milhões de crianças precisando de auxílio no Sahel Central; agências humanitárias querem resposta de longo prazo para efeitos do aumento da violência armada e consequências da pandemia na área africana.  

As Nações Unidas alertam sobre o rápido agravamento da situação humanitária no Sahel Central. Países como Burquina Fasso, Mali e Níger veem necessidades crescer para os mais de 13 milhões de pessoas que agora precisam de ajuda. 

Em 20 de outubro, a organização realiza uma conferência humanitária de alto-nível para discutir o tema em parceria com a Dinamarca, Alemanha e União Europeia. O evento ministerial quer promover atenção especial ao impacto humanitário e às consequências da Covid-19. 

Auxílio  

Soldados da paz na região de Mopti, no Mali, durante uma operação militar, by Minusma/Gema Cortes

O Escritório de Coordenação dos Assuntos Humanitários, Ocha, destaca que a reunião visa alertar para o senso de urgência dos fazedores de políticas sobre esta situação e enfatizar que os desafios devem ser enfrentados de forma abrangente. 

Outro objetivo é arrecadar fundos para a ação humanitária nos três países, que juntos receberam somente 40% do total previsto nos planos de resposta.  

As necessidades de crianças deslocadas em Burquina Fasso, Mali e Níger cresceram acima de dois terços em apenas um ano. O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, realça o recorde de 7,2 milhões menores precisando de auxílio. 

O evento pretende incentivar os doadores e as nações vizinhas a se empenharem de forma específica em “políticas de longo prazo que ajudem a construir resiliência e evitar futuras necessidades humanitárias”. 

Deslocados e anfitriões 

A região pode se tornar uma das maiores crises do mundo se os esforços humanitários não tiverem apoio urgente, de acordo com a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur.  O ritmo de crescimento da crise de deslocamento e proteção é “o maior no mundo”. 

Pastores guiam seus rebanhos no Niger, no Sahel, by FAO/Giulio Napolitano

O Sahel Central concentra acima de 55% dos 2,7 milhões de pessoas forçadas a abandonar suas casas em todo o Sahel. Entre as “imensas necessidades” das vítimas estão abrigo, água, saneamento, saúde e outro tipo de assistência básica.  

Mais de 1,5 milhão de deslocados internos e 365 mil refugiados fugiram da violência. Somente este ano foram cerca de 600 mil. 

Em 2020, a agência da ONU aumentou dramaticamente o auxílio para a região acompanhando os esforços dos atores humanitários para atender comunidades deslocadas e anfitriãs.  

Violência  

O Unicef destaca que a combinação do aumento da violência armada e  consequências socioeconômicas da Covid-19 levaram ao deslocamento de 1 milhão de crianças. 

A agência tenta mobilizar alimentos terapêuticos essenciais, recursos para imunização contra doenças mortais e maior acesso a água potável e saneamento. As necessidades de água potável este ano aumentaram em um quinto.  

No terreno, o Unicef apoia a recuperação e integração de crianças libertadas de grupos armados ou sujeitas à violência sexual. Para evitar crises crônicas, a agência apela os países a garantir que a atual geração de menores vire a página marcada por violência e pobreza. 

O Unicef defende que as necessidades de proteção, educação e nutrição deste grupo etário no Sahel Central devem envolver “muito mais recursos”, que precisam ser mobilizados de imediato e durante os próximos anos. 

Unicef/UN0202145/Rich
No total, 9.272 estabelecimentos de ensino foram fechados este ano em nove países: Burquina Fasso, Camarões, Chade, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Mali, Níger e Nigéria.

 

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