Guterres diz que insegurança alimentar está “a um nível não visto há décadas”  BR

Crianças no Quênia comendo sua refeição escolar. Pandemia piorou situação de insegurança alimentar
PMA/Martin Karimi
Crianças no Quênia comendo sua refeição escolar. Pandemia piorou situação de insegurança alimentar

Guterres diz que insegurança alimentar está “a um nível não visto há décadas” 

Ajuda humanitária

Dia Mundial da Alimentação é marcado neste 16 de outubro; mais de 130 milhões de pessoas correm risco de passar fome até o final deste ano; em mensagem sobre o dia, secretário-geral afirma que “em um mundo de fartura, é uma afronta grave que centenas de milhões de pessoas vão para a cama com fome”. 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “em um mundo de fartura, é uma afronta grave que centenas de milhões de pessoas vão para a cama com fome todas as noites.” 

Em mensagem sobre o Dia Mundial da Alimentação, marcado esta sexta-feira, o chefe da ONU lembra que “a pandemia de Covid-19 intensificou ainda mais a insegurança alimentar, levando a um nível não visto há décadas.” 

ONU diz que insegurança alimentar está “a um nível não visto há décadas”

Crise 

Mais de 130 milhões de pessoas estão na iminência de passar fome até o final deste ano. Nesse momento, 690 milhões de pessoas já não têm o que comer. 

Ao mesmo tempo, mais de 3 bilhões de pessoas não têm dinheiro para fazer uma dieta saudável. 

Guterres lembra ainda a entrega do Prêmio Nobel da Paz deste ano ao Programa Mundial de Alimentos, PMA, dizendo que “reconhece o direito de todas as pessoas à alimentação e nossa busca comum para alcançar a fome zero.” 

Aniversário 

Em 2020 é celebrado  o 75º aniversário da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO

Para combater a fome em mais de 80 países, o PMA calcula que precisará de mais de US$ 10 bilhões para financiar todas as suas operações.
Para combater a fome em mais de 80 países, o PMA calcula que precisará de mais de US$ 10 bilhões para financiar todas as suas operações., by Foto: Unicef/Saleh Baholis

Guterres diz que a comunidade internacional deve aproveitar a data para “intensificar os esforços para alcançar a visão dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.” 

Segundo ele, “isso significa um futuro onde todos, em qualquer lugar, tenham acesso à nutrição de que precisam.” 

O secretário-geral convocou para setembro do próximo ano, à margem da Assembleia Geral, uma Cúpula de Sistemas Alimentares para inspirar ações em direção a essa visão. 

Prioridades 

António Guterres destacou três necessidades que o mundo precisa cumprir. 

Primeiro, tornar os sistemas alimentares mais resistentes à volatilidade e aos choques climáticos. Depois, garantir dietas sustentáveis ​​e saudáveis ​​para todos e minimizar o desperdício de alimentos. E, por fim, construir sistemas alimentares que forneçam meios de subsistência decentes e seguros para os trabalhadores. 

O chefe da ONU afirma que a comunidade internacional tem “o conhecimento e a capacidade de criar um mundo mais resiliente, justo e sustentável. 

Segundo ele, neste Dia Mundial da Alimentação, todos devem assumir o compromisso de “Crescer, Nutrir e Sustentar. Juntos". 

Crise 

Nesse momento, mais de 2 bilhões de pessoas não têm acesso regular a alimentos seguros, nutritivos e suficientes

Segundo a FAO, nesse momento, mais de 2 bilhões de pessoas não têm acesso regular a alimentos seguros, nutritivos e suficientes. A população global deve atingir quase 10 bilhões em 2050. 

A desnutrição em todas as suas formas, como deficiências de micronutrientes, sobrepeso e obesidade, custa cerca de US$ 3,5 trilhões por ano à economia global.  

Hoje, apenas nove espécies de plantas respondem por 66% da produção total de alimentos, apesar de haver pelo menos 30.000 plantas comestíveis. A FAO diz que é preciso cultivar uma variedade de alimentos para nutrir as pessoas e sustentar o planeta. 

Aproximadamente 14% da produção alimentar  são perdidos a cada ano entre as fases de cultivo ou criação e até chegar ao mercado. Mais alimentos são desperdiçados nos estágios de varejo de alimentos e consumo. 

Segundo a FAO, mais de 3 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso à internet e a maioria delas vive em áreas rurais e remotas. A agência diz que os pequenos agricultores precisam de maior acesso a financiamento, treinamento, inovação e tecnologia para melhorarem seus meios de subsistência.