Migração dentro da África subiu quase o dobro em 10 anos
BR

12 outubro 2020

Crescimento médio anual de migrantes provenientes de países africanos é de cerca de 7,5%; cidadãos estrangeiros representam apenas 2,1% do total da população da região, segundo estudo que envolveu ONU, União Africana, UA, e parceiros. 

O movimento de pessoas entre países africanos é uma caraterística que define a migração no continente, segundo  Relatório sobre Estatísticas Laborais de Migração em África.

A Comissão da União Africana lançou a segunda edição do documento em Adis Abeba ilustrando dados de 10 anos. A pesquisa revela que o número de recém-chegados de um país africano diferente quase que duplicou de 13,3 milhões, em 2008, para 25,4 milhões de migrantes em 2017. A taxa de crescimento médio anual anual é de cerca de 7,5%.

85% dos refugiados vivem em países em desenvolvimento ou menos desenvolvidos, como estes meninos do Assentamento de Tierkidi, na Etiópia,Foto: UnicefEtiópia/2018/Mersha

Trabalho 

O estudo que também envolveu a Organização Internacional para as Migrações, OIM, e a Organização Internacional do Trabalho, OIT, faz parte do Programa Conjunto de Migração Laboral, Jlmp na sigla em inglês.

Em nota, a OIM salienta que os migrantes estrangeiros representam apenas 2,1% do total da população do continente. A agência atribui esse aumento a fatores demográficos, socioeconômicos, ambientais e à maior pressão no mercado de trabalho dos países anfitriões.

Para a chefe da OIM na Etiópia, Maureen Achieng, a expectativa é que a atualização  ajude a Comissão da UA, os Estados-membros e as diferentes comissões econômicas regionais a resolver desafios ligados à falta de dados desagregados.

Essa informação é fundamental para criar políticas migratórias, econômicas e laborais, além de definir ações sobre o clima, desenvolvimento empresarial, investimento e outras que podem contribuir para uma África mais próspera.

Desafios

Para a União Africana e parceiros ainda é um desafio obter dados de migração laboral atempados, credíveis e de alta qualidade que estejam separados por gênero, idade, atividades socioeconômicas, estatuto migratório e outros indicadores essenciais.

A comissária da União Africana para os Assuntos Sociais, Elfadil Mohammed Elfadil, assegurou que “a implementação da Jlmp em colaboração com os parceiros ajuda nos esforços para  erradicação da pobreza, desenvolvimento inclusivo e garantir que os migrantes sejam bem protegidos”.

Refugiados da Somália no campo de refugiados de Burumino na Etiópia, Unicef/Jiro Ose

O relatório analisou também o crescimento de remessas, as caraterísticas e a distribuição de migrantes além do nível de proteção social que recebem. Em 2017, a taxa de crescimento médio da população africana era de 2,8%. As pessoas em idade laboral oscilavam em torno de 33%.

Segundo o documento, o volume das remessas dos africanos, incluindo aqueles que vivem e trabalham fora do continente, aumentou 33,4% em sete anos. O crescimento foi de US$ 56,8 bilhões em 2010 para US$ 75,7 bilhões em 2017.

Movimentos migratórios

O maior movimento dos trabalhadores migrantes no continente é atribuído às regiões da África Ocidental, Oriental e Austral. Os jovens do Oeste Africano são tidos como os que mais se deslocam em busca do trabalho. Este fato pode estar ligado, em parte, ao acordo de cooperação regional que reconhece direitos individuais de deslocamento e assentamento.

Para peritos técnicos, a informação contida no relatório é essencial para alinhar prioridades de desenvolvimento. O estudo também poderá contribuir para o monitoramento dos progressos em relação à Agenda 2063 da União Africana e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

 

*Amatijane Candé, de Bissau para a ONU News.

 

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