ONU preocupada com escalada militar no Iêmen 
BR

8 outubro 2020

Enviado especial alertou para situação em Hodeida, dizendo que novos combates violam acordo de cessar-fogo e comprometem negociações em curso; na província de Marib, violência já causou mais de 90 mil deslocados esse ano. 

O enviado especial da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, está acompanhando com profunda preocupação a recente escalada militar em Hodeida. 

As Nações Unidas receberam relatos de várias vítimas entre a população civil, incluindo mulheres e crianças. 

Enviado especial da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths.
Enviado especial da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, Foto ONU/ Manuel Elias

Vítimas 

Em comunicado, Griffiths afirma que a escalada “não constitui apenas uma violação do acordo de cessar-fogo, mas vai contra o espírito das negociações em curso.” 

Segundo o enviado especial, o diálogo, mediado pela ONU, que visam alcançar um cessar-fogo nacional, medidas humanitárias e econômicas e a retomada do processo político” 

Martin Griffiths diz que tem se envolvido com todas as partes do conflito. Ele apela a que “parem imediatamente os combates, se respeitem os compromissos que assumiram ao abrigo do acordo de Estocolmo e se empenhem nos mecanismos de implementação conjunta da Missão de Apoio da ONU.” 

Marib 

Em outra província, Marib, no centro do país, os combates decorrem há 10 meses.  

Mais de 90 mil pessoas foram deslocadas devido ao conflito, acima da metade de todos os deslocamentos relacionados ao conflito no país este ano. 

Segundo a Organização Internacional para Migrações, OIM, “a situação está para piorar.” 

Chegando com pouco ou nada, a grande maioria dos deslocados vive em assentamentos extremamente superlotados

Em comunicado, a chefe da missão da agência, Christa Rottensteiner, disse que a OIM está “extremamente preocupada” com o impacto arrasador dos combates, que estão se aproximando de áreas densamente povoadas. 

Chegando com pouco ou nada, a grande maioria dos deslocados vive em assentamentos extremamente superlotados, onde faltam serviços básicos necessários para sobreviver. 

Christa Rottensteiner espera que uma solução pacífica possa ser encontrada em breve para evitar uma crise de deslocamento massivo. 

Segundo ela, centenas de milhares de pessoas podem ser forçadas a deixar suas áreas de origem. Muitas delas estariam fugindo do conflito pela segunda, terceira ou mesmo quarta vez. 

Além disso, mais locais se tornariam inacessíveis para organizações humanitárias, o que significa que comunidades vulneráveis ​​ficariam sem apoio. 

Deslocados 

Família em acampamento de deslocados internos no Iêmen.
Família em acampamento de deslocados internos no Iêmen., by YPN/Ocha

O deslocamento para a província de Marib acontece desde o início do conflito no Iêmen, em 2015. 

Em 2018, a OIM registrou cerca de 800 mil deslocados vivendo na região, o que representava quase o triplo da população de Marib antes do conflito. Hoje, o número de deslocados é ainda maior. 

Das famílias que abandonaram suas casas desde janeiro, cerca de 70% precisam de apoio em abrigos e menos de 5% têm acesso regular a uma latrina. 

Combinado com o fato de que os assentamentos estão superlotados, isso cria uma “situação extremamente preocupante”. A higiene e o distanciamento físico são fundamentais para combater a propagação da Covid-19. 

Além disso, a província foi fortemente afetada pelas enchentes que aconteceram recentemente. Estima-se que 17 mil famílias foram afetadas pelo desastre, muitas das quais já haviam sido deslocadas e viviam em abrigos improvisados. 

 

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