7 outubro 2020

Região notificou mais de 17 milhões de casos e 574 mil mortes por coronavírus; crianças e adolescentes infectados passam de meio milhão e número continua crescendo; situação de indígenas e migrantes está entre as que mais preocupam. 

O Escritório Regional para as Américas da Organização Mundial da Saúde, Opas, notificou mais de 17 milhões de casos e 574 mil mortes devido à Covid-19 na região que “continua sendo a segunda mais afetada em novos casos e mortes.” 

O Brasil e os Estados Unidos concentram os “números mais significativos” na área. A informação foi dada pela diretora regional da Opas, Carissa Etienne, em entrevista virtual realizada nesta quarta-feira de Washington. 

Transmissão 

A representante apontou Cuba e Jamaica entre as situações mais preocupantes, porque vêm ocorrendo picos após terem administrado surtos de forma eficaz. Pelo menos 11 Estados caribenhos passaram de transmissão moderada para intensa. 

A Opas realçou ainda que foram infectados mais de 500 mil crianças e adolescentes, um número que “continua aumentando” na região. Muitos deles “não sabem que estão infectados porque têm sintomas leves ou nenhum sintoma.” 

Chefe da Opas, Carissa Etienne (esquerda) alertou que pandemia tem agravado as desigualdades de gênero, renda e raça., by OMS/C. Black

Etienne alertou sobre a possível infeção de pessoas com diabetes e outras doenças preexistentes. Dados dos últimos meses indicam que nos Estados Unidos, jovens, em especial  com idade entre 20 e 29 anos, tiveram a maior incidência de infecções do que qualquer outra faixa etária. Eles representam mais de 20% dos novos casos.  

Para a representante, uma boa notícia  é que as taxas de casos graves caíram e menos pessoas que estão sendo hospitalizadas necessitam de cuidados intensivos. 

Conhecimento  

A Opas realça que a menor demanda por leitos de terapia intensiva em hospitais se deve, em parte, ao aumento do conhecimento sobre o vírus e das formas para lidar com pacientes em estado crítico. 

Etienne sublinhou que a pandemia tem agravado as desigualdades de gênero, renda e raça. Em regiões amazônicas da Colômbia e do Brasil, por exemplo, os povos indígenas têm 10 vezes mais chances de contrair a Covid-19 do que outros grupos. 

Em relação aos Estados Unidos, as populações negras, hispânicas e nativas têm três vezes maior probabilidade de contrair o coronavírus que as de raça branca. A chance de serem hospitalizadas é cinco vezes mais alta, enquanto a possibilidade de perder a vida por causa do vírus é duas vezes maior. 

Etienne disse que migrantes também estão mais expostos ao vírus na região. A Opas apoia o Brasil num plano visando garantir que migrantes tenham acesso a alimentos, assistência médica e apoio à saúde mental, tal como acontece com o Equador, a Costa Rica e o México. 

Ocha/Gema Cortes
A Opas destacou a incidência desproporcional do novo coronavírus em pessoas mais jovens

 

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