Portugal investe no ensino da língua portuguesa para integrar migrantes

9 outubro 2020

Em entrevista à ONU News à margem do debate de líderes internacionais da Assembleia Geral, o ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Augusto Santos Silva, afirmou que o programa de ensino do idioma é coordenado pelo Ministério da Educação e pela Secretaria de Estado para Igualdade e Integração; brasileiros são 20% dos estrangeiros em Portugal.

Portugal está investindo na língua portuguesa para acolher e integrar estrangeiros, que escolhem viver no país, de forma mais rápida.

Dentre os 600 mil estrangeiros, que atualmente estão no país europeu, se encontram muitos migrantes e refugiados. 

Ucranianos e romenos

A decisão de levar o português como “língua de acolhimento” a essas comunidades foi tomada pelas autoridades para facilitar a inclusão. 

Muitas crianças ucranianas, por exemplo, estão entre os alunos com melhor desempenho nas escolas portuguesas

A informação foi dada à ONU News pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Augusto Santos Silva. Segundo ele, a comunidade estrangeira conta com 20% de brasileiros, africanos de língua portuguesa e outras origens, romenos, ucranianos além de outras nacionalidades. 

Ao citar a iniciativa do ensino do português, Santos Silva, contou que muitas crianças ucranianas, por exemplo, estão entre os alunos com melhor desempenho nas escolas portuguesas.

Barreira linguística

“O primeiro exemplo é o que nos chamamos o programa de português, língua de acolhimento. Para que a integração dos migrantes, designadamente dos migrantes que trabalham e as respectivas famílias, designadamente das crianças, para que esta integração seja bem-sucedida, a barreira linguística quando existe tem que ser superada. Eu sei que uma parte considerável dos estrangeiros que vivem em Portugal, vem dos países de língua portuguesa, e portanto a língua não é uma barreira, pelo contrário, é um traço de união.
Mas quando nós falamos de muitos outros migrantes, aqueles que vêm da África, aqueles que vêm da Europa do Leste e outras partes do mundo, nesses casos, a barreira da língua pode ser uma barreira muito forte. E por isso, o nosso Ministério da Educação e a nossa Secretaria de Estado para Igualdade e Integração desenvolvem este programa de português língua de acolhimento. Este é um aspecto.”

Para o chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, é preciso também facilitar a permanência dos estrangeiros em Portugal ajudando a desembaraçar processos burocráticos como concessão de visto e permanência. 

Autorizações

Ao citar o tamanho da população de Portugal, de pouco mais de 10 milhões, Santos Silva informou que cerca de 6% deste total vieram de fora e precisam do apoio das autoridades para seguir vivendo no país, ainda que temporariamente.

Portugal tem mantido uma política de acolhimento de cidadãos de várias partes do globo

“O segundo aspecto, que também é muito importante, é o de nós facilitarmos a vida àquelas pessoas que querem residir em Portugal, durante um certo período de tempo, porque têm aqui um trabalho, porque estão aqui para estudar, porque estão aqui para ensinar e portanto, as autorizações, primeiro os vistos para entrar no país, e depois as autorizações de residência para estudo e para trabalho podem e devem ser simplificadas. Evidentemente, quanto mais simplificadas forem, melhor nós estamos a agir no que diz respeito à integração dos migrantes.”

Conhecido por um país de destino e origem de migrantes, Portugal tem mantido uma política de acolhimento de cidadãos de várias partes do globo. 

Logo após o início da guerra na Síria, em 2011, e do apelo de assentamento de refugiados sírios, Portugal se ofereceu para acolher muitas vítimas do conflito ao lado de outros países europeus entre eles, a Alemanha.

 

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