Países de língua portuguesa analisam avanços nos direitos da mulher em evento Pequim + 25 
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2 outubro 2020

Ministras de Cabo Verde, Moçambique, Brasil e Portugal destacaram temas como   diferença salarial, violência doméstica, Covid-19 e participação política; reunião virtual juntou líderes internacionais, secretário-geral da ONU, chefe da ONU Mulheres e outras agências para analisar avanços desde a histórica conferência, de 1995, na China. 

Quatro ministras de países de língua portuguesa participaram de um encontro nas Nações Unidas ao lado de representantes de mais de 150 nações para analisar avanços nos direitos de meninas e mulheres.  

Sob o tema “Acelerando a realização da igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas”, a reunião virtual com líderes internacionais marcou o 25º aniversário da 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher em Pequim, realizada na China, em 1995. 

Protestos durante 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher em Pequim, realizada na China, em 1995, Foto ONU/Milton Grant

Moçambique 

Moçambique foi o primeiro país lusófono da lista. A ministra do Género, Criança e Ação Social, Nyeleti Mondlane, destacou vários avanços, mas disse que “é necessário fazer muito mais” para incrementar o acesso de meninas e mulheres a serviços básicos e empoderamento no país. 

Em todo o mundo, uma mulher em cada três mulheres ainda é vítima de algum tipo de violência. Todos os anos, 12 milhões de meninas, menores de 18 anos, se casam e, em algumas partes do globo, os níveis de feminicídio podem ser comparados a uma zona de guerra.  

Portugal 

A ministra de Estado e da Presidência de Portugal, Mariana Vieira da Silva, afirmou que o combate à violência doméstica e de gênero é uma prioridade para seu país. 

Segundo ela, “as disparidades salariais entre homens e mulheres são outro exemplo de desigualdade persistente” e os estereótipos ainda influenciam escolhas educacionais e profissionais, afastando as mulheres de carreiras com melhores salários em áreas como engenharia e tecnologia da informação e comunicação.  

Em todo o mundo, em média, as mulheres têm apenas 75% dos direitos legais dos homens. O Banco Mundial estima que pode levar 150 anos para atingir a paridade de gênero em salários.  

Cabo Verde 

De Cabo Verde, a ministra da Educação, Família e Inclusão Social , Maritza Rosabal, afirmou que “a pandemia não pode servir como uma desculpa para inverter a igualdade de gênero ou para justificar uma regressão dos resultados alcançados até agora.” 

Devido à pandemia, estima-se que no próximo ano, 47 milhões de mulheres e meninas serão lançadas na pobreza extrema, elevando o total para 435 milhões. 

Rosabal contou que Cabo Verde já sente os efeitos da lei da paridade na composição dos órgãos de decisão ou a eliminação das disparidades no sistema de educação. Ela afirmou, no entanto, que ainda existem muitos desafios. 

Brasil 

Na lista também estava a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos do Brasil, Damares Alves, que afirmou que a comunidade internacional deve “redobrar o esforço de combate à violência, ao feminicídio, ao tráfico internacional de pessoas e todas as formas de discriminação que atingem mulheres e meninas em todo o mundo.” 

Damares Alves disse que o seu país “reitera o compromisso com a saúde de mulheres e meninas, inclusive a saúde sexual e reprodutiva”, e apoia tentativas de aumentar a participação das mulheres na política. 

Atualmente, somente 10% chefes de Estado e Governo são mulheres. Dos 193 Estados-membros da ONU, existem 22 mulheres no comando, 10 a mais que há 25 anos, quando a Conferência de Pequim prometeu aumentar a participação feminina nos espaços de decisão. 

 

 

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