Defensora de direitos humanos na Colômbia vence Prêmio Nansen de Refugiados
BR

1 outubro 2020

Educadora, Mayerlín Vergara Pérez, atua há mais de 20 anos no resgate de crianças traficadas e exploradas sexualmente, muitas delas refugiadas; mais de 22 mil crianças e adolescentes foram atendidos pela Fundação Renacer, coordenada por ela; prêmio destina US$ 150 mil ao ganhador.

“Ela representa o que de melhor existe em nós”, com essas palavras o alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, anunciou a ganhadora global do Prêmio Nansen de Refugiados deste ano.

Mayerlín Vergara Pérez, conhecida como Maye, trabalha há mais de 20 anos defendendo o direito das crianças na Colômbia. Educadora e coordenadora regional para o Caribe, da Fundação Renacer, Maye atua no resgate de crianças e adolescentes traficados e explorados sexualmente. Muitas das vítimas são refugiadas.

© Acnur/Nicolo Filippo Rosso
Mayerlín Vergara Pérez atua há mais de 20 anos no resgate de crianças traficadas e exploradas sexualmente, muitas delas refugiadas.

“Heroica”

Grandi elogiou o que ele chamou de valentia, coragem e uma atitude sem egoísmo da vencedora deste ano para proteger as crianças mais vulneráveis do mundo. Para ele, a atitude dela é “nada menos que heroica”.

Há 32 anos, Maye fundou a organização que até agora já atendeu a mais de 22 mil crianças e adolescentes vítimas do crime de exploração sexual além de sobreviventes de outros tipos de violência sexual e de gênero.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, afirma que a educadora incorpora a essência do prêmio pela dedicação para salvar centenas de crianças refugiadas e restaurar a esperança de um futuro melhor.

© Acnur/Santiago Escobar-Jarami
O Acnur afirma que a educadora incorpora a essência do prêmio pela dedicação para salvar centenas de crianças refugiadas e restaurar a esperança de um futuro melhor.

A pé

Segundo o Acnur, Maye arriscou-se, várias vezes, para socorrer meninas e meninos vítimas de abusos sexuais e tráfico. A pé, ela cruzou várias comunidades remotas do nordeste da Colômbia, onde grupos de tráfico humano e contrabandistas operam.

Ela lidera uma equipe na Fundação Renacer, que coopera com o Instituto do Bem-Estar da Família, uma entidade do governo colombiano para proteger crianças no país.

Ao denunciar os abusos, ela contou com o apoio da sociedade civil, das autoridades da Colômbia e do setor de turismo, conhecido como um campo fértil para a explorações e o tráfico de seres humanos no país. Todas essas forças se uniram para assegurar a proteção das crianças e dos adolescentes

Maye afirmou que a exploração tem um impacto enorme sobre as crianças: psicológico, emocional, social e físico. Ela contou que vê meninas que não compreendem que o corpo delas pertence a elas. A ganhadora disse que as meninas são tão maltratadas, abusadas e exploradas que acabam se sentindo alienadas.

Duas legislações

O trabalho de atuação dela ajudou a criar duas legislações na Colômbia, a 1329 com um período de sentença de pelo menos 14 anos de prisão para os que forem condenados por explorações sexual de crianças e adolescentes, e a lei 1336 que pune os proprietários de estabelecimentos que permitem a exploração de crianças.

Em todo o mundo, milhões de crianças são vítimas de tráfico todos os anos, e meninas e mulheres são as maiores vítimas desse crime.

Refugiados, migrantes, candidatos a asilo e deslocados internos correm alto risco de práticas como casamento precoce e forçado e associação com membros de grupos armados.

Foto: Acnur/Siegfried Modola
Crianças venezuelanas atravessam a ponte Simon Bolivar, para entrar na Colômbia

Refugiados venezuelanos

O Acnur lembra que desde 2015, a situação na Venezuela se deteriorou forçando milhões de pessoas a fugir de suas casas. Cerca de 1,7 milhão se abrigou na Colômbia. Muitos venezuelanos acabaram vítimas de traficantes de seres humanos, gangues, e outros criminosos que atuam na fronteira. 

De 2015 a 2019, o número de casos de tráfico humano subiu 23%, na maior parte por causa dos refugiados e migrantes venezuelanos na Colômbia. E somente nos primeiros quatro meses desse ano, o crime teve aumento de 20%, a maioria dos casos era de mulheres e meninas vítimas de tráfico com fins sexuais.

O controle na fronteira por causa do risco de contaminação com a Covid-19 só piorou a situação.  Muitas crianças foram forçadas ao trabalho infantil com o aumento do desemprego. 

O Prêmio Nansen é entregue a pessoas que se destacam no serviço àqueles que tiveram que fugir de suas casas se tornando deslocados forçados. Mais de 82 indivíduos ou grupos foram agraciados com a distinção. Apoiado pelos governos da Noruega e da Suécia, o prêmio dá uma medalha comemorativa e um cheque de US$ 150 mil ao vencedor.

 

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