Líderes mundiais discutem soluções para crise financeira gerada por Covid-19 
BR

29 setembro 2020

Encontro foi convocado pelo secretário-geral e primeiros-ministros do Canadá e da Jamaica; grupos de trabalho fizeram série de sugestões para países de baixa-renda, como alargamento dos prazos para pagamento de dívidas e redução dos custos de remessas.

Líderes de governos e organizações internacionais discutiram esta terça-feira ações para ajudar países e pessoas a lidar com os impactos financeiros e socioeconômicos causados pela Covid-19. 

O encontro foi convocado pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pelo primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e pelo primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness.  

Segundo António Guterres, é necessário “um compromisso coletivo para evitar uma espiral descendente", IRC/Schneyder Mendoza

Investimento 

Dos US$ 11 trilhões gastos em todo o mundo para responder aos impactos da pandemia, 88% foram investidos em países de alta renda. Em comparação, apenas 2,5% desse valor foi destinado a economias emergentes e em desenvolvimento. 

Além de uma crise de saúde e humanitária, a Covid-19 tornou-se uma emergência de desenvolvimento global sem precedentes. 

Segundo as Nações Unidas, a pandemia deve levar cerca de 100 milhões à pobreza extrema, o primeiro aumento desde 1998. 

Mais de 265 milhões poderão sofrer com escassez aguda de alimentos até o final do ano. Nessa altura, 12 mil pessoas enfrentam risco poderão de fome relacionada à crise de saúde.  

Impacto 

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, estima que o equivalente a 500 milhões de empregos foram perdidos até agora. Isso ampliou as desigualdades econômicas, tendo um impacto desproporcional nos países em desenvolvimento e grupos vulneráveis. 

Mesmo para as nações em desenvolvimento não afetadas pelo vírus, a pandemia aumentou a crise financeira devido à queda nas receitas de exportação, turismo e remessas, ameaçando a capacidade de pagamento. 

União 

O secretário-geral disse que os países desenvolvidos aprovaram um enorme alívio para suas sociedades, mas é preciso “garantir que o mundo em desenvolvimento não caia na ruína financeira, aumentando a pobreza e as crises de dívida.” 

Segundo António Guterres, é necessário “um compromisso coletivo para evitar uma espiral descendente.” 

Pandemia deve levar cerca de 100 milhões à pobreza extrema

Já o primeiro-ministro do Canadá, disse que o encontro deve ajudar a manter o ímpeto em direção à Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs. 

Para Justin Trudeau, o mundo tem agora “a oportunidade de reimaginar sistemas econômicos, reafirmar o entendimento comum de uma recuperação mais sustentável e inclusiva e restabelecer o impulso para alcançar os ODSs.” 

Recuperação 

O primeiro-ministro da Jamaica afirmou que a comunidade internacional está “em um ponto crítico onde, mais do que nunca, a cooperação e colaboração globais são essenciais para a recuperação.” 

Andrew Holness apelou a uma abordagem objetiva e estratégica, com ações ousadas e bem fundamentadas. Para o chefe de governo jamaicano, apenas assim será possível “alcançar uma recuperação verdadeiramente resiliente, inclusiva e sustentável.” 

O impacto da Covid-19 sobre jovens e adultos e educadores dos cursos de alfabetização, e que lições foram aprendidas são alguns dos pontos analisados., by Unicef/Jean-Claude Wenga

A primeira reunião de alto nível sobre este tema aconteceu em 28 de maio. Na altura, seis grupos de discussão foram criados para produzir um conjunto de recomendações. 

Covax 

Esse trabalho foi agora apresentado aos líderes mundiais e inclui várias ações de alto impacto, como a garantia de acesso equitativo à vacina para a Covid-19, através da Iniciativa Covax. 

Também deve ser facilitada liquidez suficiente para os Estados-membros, através de uma nova alocação de US$ 650 bilhões em Direitos Especiais de Saque para países em desenvolvimento e vulneráveis, incluindo países de renda média. 

Os países em dificuldades devem ter mais tempo para fazerem pagamentos de dívida, estendendo e expandindo a Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida e criando uma estrutura comum para resolver questões de solvência.  

Remessas 

Os grupos de trabalho recomendam ainda o fortalecimento do apoio de instituições financeiras internacionais, investimentos em empregos para todos, redução dos custos das remessas e restrição dos fluxos financeiros ilícitos. 

Por fim, os governos nacionais devem alinhar seus orçamentos nacionais com os ODSs e o Acordo de Paris, unindo medidas de emergências de curto prazo com objetivos de longo prazo.  

 

 

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