Covid-19, conflitos e crise climática formam ameaça tripla à saúde materno-infantil
BR

25 setembro 2020

Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe mencionados em relatório da Iniciativa Cada Mulher, Cada Criança; em análise da década, agências da ONU chamam atenção para efeitos da pandemia e casamentos precoces. 

O progresso para melhorar a saúde das mulheres e crianças na última década está em risco devido ao conflito, à crise climática e à pandemia.  A constatação é de um estudo divulgado esta sexta-feira para marcar os 10 anos da iniciativa “Every Woman Every Child”, ou Cada Mulher, Cada Criança em tradução livre. 

Unicef, OMS e Unfpa 

A mortalidade materna diminuiu 35% desde 2000., by UNFPA Moçambique

O relatório “Proteger o Progresso: Aumentar, Reconcentrar, Recuperar” foi compilado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, pela Organização Mundial de Saúde e pelo Fundo das Nações Unidas para a População. 

Entre 2020 e 2030, 48 milhões de menores com idade abaixo de cinco anos poderão perder a vida se não for redobrado o investimento para combater a morte de crianças por causas evitáveis. Quase metade desses óbitos poderá ser de recém-nascidos. 

O apelo aos países é que continuem investindo na saúde de todas as mulheres, crianças e jovens, em todas as crises. 

Lusófonos 

Nações de língua portuguesa aparecem entre economias de baixa e média rendas onde foram analisadas intervenções em cuidados segundo pesquisas feitas desde 2015. 

Angola é mencionada pelo compromisso financeiro de US$ 970.000, anunciado entre 2018 e 2019, que expressa “a disposição de mobilizar recursos domésticos para proteger e melhorar a saúde reprodutiva, materna, neonatal, infantil e adolescente”.

Já Moçambique está entre 14 Estados com a mais alta cobertura de tratamento de grávidas vivendo com HIV que supera 99%. Os outros são Belarus, Benim, Botsuana, Costa Rica, Cuba, Suazilândia, Guiné-Conacri, Guiana, Malauí, Malásia, Namíbia, Ruanda e Uganda.  

Imunização 

São Tomé e Príncipe é um dos países que mais imunizam grávidas contra o tétano ao lado da República Dominicana, da Eritreia, da Guiana, das Honduras, das Maldivas e de Sri Lanka. 

Pandemia dificulta acesso a serviços essenciais de saúde., by Pnud

Em nível global, os principais avanços atingidos na última década foram a queda da morte de crianças com menos de cinco anos, que “atingiu o número mais baixo de sempre em 2019.” 

Durante o período, mais de 1 bilhão de crianças foram vacinadas e a taxa de cobertura da imunização, os partos acompanhados por profissionais qualificados e o acesso a água potável atingiram mais 80%. 

Desde 2000, a mortalidade materna diminuiu 35% sendo que a maior descida aconteceu a partir de 2010. As estimativas apontam 25 milhões de casamentos infantis evitados na última década.  

Pandemia 

No entanto, o conflito, a instabilidade climática e a pandemia da Covid-19 colocam a saúde e o bem-estar de todas as crianças e jovens em risco.  A pandemia exacerba as desigualdades já existentes, dificultando o acesso a serviços essenciais de saúde. O maior impacto disso recai sobre mulheres e crianças em situação de fragilidade. 

No período de confinamento da Covid-19 as escolas foram fechadas em 192 países, afetando 1,6 bilhão de estudantes.   

A violência doméstica e o abuso sexual de meninas e mulheres aumentaram e as situações de pobreza e de fome ainda se intensificam.  

Desafios 

Mesmo com os progressos, somente no ano passado morreram 5,2 milhões de crianças com menos de cinco anos. Pelo menos 1 milhão de jovens perderam a vida pelas mesmas razões. 

As estatísticas apontam ainda a morte de um recém-nascido a cada 13 segundos e de 33 mulheres a cada hora durante o parto. 

Em 2019, 33 mil meninas por dia foram forçadas a casar, normalmente com homens muito mais velhos.  

As taxas de mortalidade materna, neonatal, infantil e juvenil foram substancialmente mais elevadas em países cronicamente afectados por conflitos. 

Foto: ONU/Eskinder Debebe
O casamento infantil continua sendo um problema sério no Chade, na África.

 

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