Em discurso na ONU, Jair Bolsonaro pede combate à "cristofobia”
BR

22 setembro 2020

Presidente do Brasil foi o primeiro a discursar no debate geral da Assembleia Geral de líderes internacionais em Nova Iorque; ele defendeu liberdade religiosa para todos, disse que o Brasil está pronto para investimentos e afirmou que seu governo combateu a Covid-19 e o desemprego; Bolsonaro diz que país é alvo de uma “campanha brutal” contra sua política ambiental e de proteção da Amazônia.

O presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, abriu o debate geral das Nações Unidas afirmando que o mundo precisa de verdade para superar os desafios. Ele lamentou a morte das vítimas da Covid-19 e disse que a pandemia e o desemprego deveriam ser tratados com a mesma responsabilidade.

Por uma falha técnica, o discurso, que durou quase 15 minutos, teve de ser reiniciado após alguns segundos. O presidente brasileiro acusou a mídia de “espalhar pânico na população” durante a crise da pandemia.

Saúde e indígenas

Bolsonaro discorreu sobre as medidas tomadas pelo país para lidar com a crise global de saúde. Segundo o presidente, mais de 100 bilhões de dólares foram investidos na saúde, houve socorro às famílias indígenas e investimentos na candidata à vacina contra a Covid-19, desenvolvida pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. 

Ao apelar aos líderes internacionais por soluções para os desafios do mundo, Bolsonaro afirmou que é preciso promover a liberdade religiosa de todos os cidadãos e combater o que chamou de “cristofobia”, ou seja aversão a Jesus Cristo ou ao cristianismo.

Além da liberdade religiosa, Bolsonaro saudou o acordo promovido pelos Estados Unidos entre Israel, os Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

Agência Brasil/Rovena Rosa
Segundo o presidente, mais de 100 bilhões de dólares foram investidos na saúde, houve socorro às famílias indígenas e investimentos na candidata à vacina contra a Covid-19.

Amazônia e Pantanal

Para o presidente o Brasil, o acordo é uma “excelente notícia” e representa uma visão promissora para retomar o caminho da “tão desejada solução do conflito entre israelenses e palestinos.” 

Ao se referir aos recentes incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal, Bolsonaro disse que o seu país tem sido alvo de uma “campanha brutal” de desinformação com “interesses” escusos.

O chefe de Estado brasileiro voltou a ressaltar que “a floresta é úmida e não permite o fogo no seu interior e que os focos de incêndios acontecem no entorno leste da floresta, onde moradores queimam seus lixos em áreas desmatadas. 

O presidente afirmou que tem uma “política de tolerância zero” a crimes ambientais e que as autoridades buscam os autores desses crimes.

© M & G Therin-Weise
Bachelet disse que redução da aplicação da lei em países das regiões da Amazônia e do Pantanal levou ao aumento da mineração

Investimentos externos

Jair Bolsonaro lembrou que a pandemia expôs os perigos da dependência de alguns poucos países para a produção de insumos e afirmou que durante toda a crise, o Brasil permaneceu um grande produtor de alimentos para o mundo.

Ele disse que o país está aberto a investimentos em áreas tecnológicas e outras a todos que “respeitem a soberania” e a proteção de dados brasileiros.

Segundo Bolsonaro, em 2019, o Brasil foi o quarto maior destino de investimentos no mundo e teve um aumento este ano, em comparação com o ano anterior. O presidente garante que o agronegócio continua pujante e que o mundo precisa de seu país para se alimentar.

Bolsonaro afirma que o Brasil tem a “matriz energética mais limpa e diversificada do mundo. E que usa apenas 27% do seu território para atividades de pecuária e agricultura.”

©Acnur/Santiago Escobar-Jaramillo
Jair Bolsorando mencionou a acolhida pelo Brasil de mais de 400 mil venezuelanos que fogem da crise no país vizinho.

Carta da ONU

Ao falar sobre o aniversário da ONU, ele destacou que como membro-fundador, o Brasil continua comprometido com os pilares da paz e segurança, direitos humanos e com os princípios da Carta. E deu como exemplo a acolhida pelo Brasil de mais de 400 mil venezuelanos que fogem da crise no país vizinho. Bolsonaro lembrou do apoio brasileiro às operações de paz e mais de 50 atuações pelo mundo incluindo Angola e Timor-Leste, dois países lusófonos. Ele também ressaltou duas mulheres boinas-azuis brasileiras que receberam prêmios das Nações Unidas pelo trabalho contra violência sexual na República Centro-Africana e na República Democrática do Congo, na África.

Antes do debate, os organizadores do evento lembraram a importância de manter o distanciamento físico, evitar apertos de mão e contribuir com todas as medidas para evitar o contágio com a Covid-19.

 

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