Conselho de Direitos Humanos debate violência política em Belarus 
BR

18 setembro 2020

Forças de segurança estão repreendendo manifestantes que saíram às ruas contra o resultado das eleições presidenciais, de 9 de agosto, que deram vitória a Alexander Lukashenko; alta comissária Michelle Bachelet disse que ciclo de violência no país deve ser quebrado.

Os 47 países-membros do Conselho de Direitos Humanos analisaram nesta sexta-feira a mais recente onda de violência em Belarus. 

Milhares de pessoas foram presas no país após a repressão violenta de forças de segurança a protestos de rua contra o resultado das eleições presidenciais, no mês passado. 

Bachelet lembrou que o último pleito presidencial em 2010 já havia sido marcado por violência policial, ONU

Prêmio Nobel 

Vários relatores de direitos humanos descreveram a situação agravada pelo uso excessivo da força contra manifestantes que saíram às ruas por discordar da reeleição do presidente Alexander Lukashenko.  

Um dos grupos mais atingidos é o Conselho de Co-Coordenação com sete líderes, entre eles uma vencedora do Prêmio Nobel de Literatura, Svetlana Alexievich.  Apenas dois desses líderes ainda se encontram no país.  

Num discurso, a alta comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, lembrou que o último pleito presidencial em 2010 já havia sido marcado por violência policial. 

Crimes 

Na época, houve uma forte repressão aos opositores políticos, grupos de direitos humanos e da mídia com centenas de detenções.  Apenas algumas recomendações do Conselho de Direitos Humanos foram implementadas após as eleições de 2010. 

Desta vez, o Escritório de Bachelet recebeu relatos de milhares de prisões e centenas de denúncias de tortura, maus tratos e outros abusos e violações contra os manifestantes. 

Bachelet contou que autoridades bielo-russas estão indiciando opositores políticos de forma agressiva por crimes. Em alguns casos, as detenções duram até 25 dias por “desordem”. 

Internet 

Manifestantes em Belarus. Violações aumentaram nos últimos cinco anos, Kseniya Halubovich

Uma outra preocupação é a prisão de jornalistas trabalhando para informar sobre os protestos. Muitos foram maltratados, tiveram seu equipamento e credenciais confiscados e sofreram assédio legal. Desde as eleições, de 9 de agosto, as autoridades de Belarus também passaram a restringir o acesso à internet.  

Bachelet disse que está “alarmada” com centenas de alegações de tortura pela polícia.  As vítimas e os advogados delas estão com receio de denunciar os casos com medo de retaliações. 

Para a alta comissária é vital para o futuro de Belarus que esses ciclos de repressão e violência acabem. 

Segundo agências de notícias, pelo quinto domingo consecutivo, mais de 100 mil pessoas saíram às ruas da capital Mink pedindo a renúncia do presidente Lukashenko. 

Sociedade civil 

Bachelet, que foi presidente do Chile por duas vezes, disse que o mais importante elemento de um governante é escutar.  

Para a alta comissária, a sociedade civil é um parceiro de valor e não uma ameaça

Para ela, instabilidade e conflitos são destrutivos e caros a qualquer país. Para a alta comissária, a sociedade civil é um parceiro de valor e não uma ameaça. 

A alta comissária pediu às autoridades em Belarus que cumpram suas obrigações internacionais e os tratados de direitos humanos que firmaram e que busquem um diálogo transparente em vez de repressão com os manifestantes. 

Investigação 

Ela disse que os detidos devem ser postos em liberdade e o assédio deve terminar. 

Michelle Bachelet também instou as autoridades a investigarem de forma transparente, independente e imparcial as alegações de abusos e violações dos direitos humanos para garantir a prestação de contas para as vítimas. 

 

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Em comunicado, grupo pediu ainda fim dos desaparecimentos forçados e disse que as autoridades bielo-russas têm de acabar com as violações de direitos humanos; repressão começou quando manifestantes saíram às ruas para protestar contra o resultado das eleições presidenciais, de 9 de agosto, que deram vitória ao atual líder da Belarus, Alexander Lukashenko.