ONU: Avanço na Agenda 2030 deve priorizar ambição, finanças e pós-Covid-19   BR

Guterres apelou à união da comunidade internacional para a Década de Ação.
ONU/Eskinder Debebe
Guterres apelou à união da comunidade internacional para a Década de Ação.

ONU: Avanço na Agenda 2030 deve priorizar ambição, finanças e pós-Covid-19  

ODS

Evento “Momento ODSs”, o primeiro na sede da ONU, contou com a participação da Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, que disse que pandemia é um revés, mas não pode ser desculpa para atrasar a educação. 

As Nações Unidas acolheram o primeiro Momento Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, ODS, nesta sexta-feira num encontro virtual na sede. Até 2030, o evento anual será convocado pelo secretário-geral antes de começar cada sessão da Assembleia Geral. 

O chefe da ONU, António Guterres, realçou que a reunião ocorre na Década de Ação para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Entre os participantes estavam representantes de governos, sociedade civil, autoridades locais, organizações internacionais e do setor privado. 

Orientação  

Para Guterres, a Agenda 2030 é uma referência para acabar com a atual pandemia, responder aos impactos socioeconômicos e traçar um rumo para uma recuperação transformadora. 

Ele realçou que as decisões tomadas nos próximos meses e anos determinarão a posição do mundo em 2030. Para o chefe da ONU, é preciso ter ambição para avançar concentrando na economia e na recuperação da Covid-19 como mais importantes. 

Presidente da 75ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, Volkan Bozkir também discursou no primeiro evento Momento ODSs.
Presidente da 75ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, Volkan Bozkir também discursou no primeiro evento Momento ODS., by ONU/Eskinder Debebe

António Guterres afirmou que a pandemia é o maior desafio desde a criação da ONU.  E defendeu um olhar “muito além da crise atual” na luta por um mundo de “dignidade e oportunidades para todos em um planeta saudável”. 

Guterres apelou ainda à união da comunidade internacional para uma Década marcada por ação, ambição, transformação, esperança e paz. 

Malala 

No evento também participou a Mensageira da Paz da ONU e Prêmio Nobel, Malala Yousafzai. A jovem paquistanesa apontou a pandemia como um retrocesso para a busca de objetivos coletivos.  

Ela destacou que somente no setor da educação, mais 20 milhões de meninas jamais retornarão às aulas após a crise. A lacuna de financiamento global no setor aumentou para US$ 200 bilhões por ano. 

A jovem paquistanesa que lidera um fundo para levar 130 milhões de meninas à escola disse que a pandemia “é um revés, mas não pode ser uma desculpa”. Para ela, o “objetivo não deve ser voltar ao que era antes”. 

Malala defende ainda que haja um “compromisso profundo” por um mundo onde todas as meninas possam aprender e liderar e um lugar onde se dê prioridade às pessoas e ao planeta ao invés do lucro, “um lugar onde os líderes cumpram suas promessas”. 

Metas  

Ela espera que a comunidade internacional assuma compromissos e possa cumpri-los além de estabelecer normas de “uma nova era sustentável, saudável, educada e igualitária”. 

Em três horas, os participantes destacaram que é preciso urgência, ambição, responsabilidade e mais possibilidades de transformação na próxima década rumo ao cumprimento das metas globais. 

Malala defende o direito das meninas a estudarem. Em 2014, ela ganhou o Prêmio Nobel de Paz.
ONU/Mark Garten
Malala defende o direito das meninas a estudarem. Em 2014, ela ganhou o Prêmio Nobel de Paz.