Conselho de Segurança debate implementação de resolução sobre Covid-19 e conflitos 
BR

9 setembro 2020

Segundo a ONU, 18 boinas-azuis morreram da doença e mais de 600 se recuperaram; participaram da reunião virtual os chefes dos Departamentos de Operações de Paz, Política e Assuntos Humanitários; Organização tem mais de 100 mil pessoas no terreno em missões de paz e estabilização. 

O Conselho de Segurança realizou uma reunião virtual sobre a implementação da resolução 2532, que exige o fim da violência para ajudar a combater a pandemia da Covid-19.  

O documento endossa uma proposta feita nesse sentido pelo secretário-geral, António Guterres, de cessar conflitos e guerras durante a emergência global. 

Vetor 

O subsecretário-geral das Operações de Paz informou que 1049 casos da Covid-19 foram notificados em missões de paz. Destes, 609 estão recuperados, 440 ativos e 18 perderam a vida. A ONU tem mais de 100 mil funcionários no terreno. 

Mulheres aguardando ajuda humanitária durante a pandemia de coronavírus em Dhaka, Bangladesh.
Mulheres aguardando ajuda humanitária durante a pandemia de coronavírus em Dhaka, Bangladesh., by ONU Mulheres/Fahad Kaizer

Jean-Pierre Lacroix contou ao Conselho que continua a ação para a proteção da saúde, da segurança e do pessoal de manutenção da paz, além de se garantir que estas forças “não são um vetor de contágio”. 

A maioria do pessoal da manutenção da paz é uniformizada ou integra unidades importantes de Missões Políticas Especiais. Com a pandemia foi dada atenção especial “desde o início, aos seus movimentos dentro e fora dos países anfitriões”.  

Já a subsecretária-geral para os Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, e o subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, também abordaram os desafios colocados pela Covid-19 em suas áreas. 

“Grandes riscos” 

DiCarlo disse haver três grandes riscos associados à pandemia, sendo que o primeiro é o desgaste da confiança nas instituições públicas. 

O segundo está relacionado ao agravamento de desafios aos direitos humanos durante a Covid-19, “o que, por sua vez, pode alimentar conflitos”. 

Rosemary DiCarlo apontou ainda um terceiro risco associado a processos políticos e de paz. Ela disse que no curto prazo, a pandemia também pode inviabilizar situações de fragilidade e iniciativas de prevenção de conflitos devido a restrições a viagens e contatos pessoais. 

Óbitos 

Imagem microscópica digitalmente aprimorada mostra uma infecção por coronavírus em azul.

Já o chefe humanitário destacou que uma ação política e econômica inadequada para lidar com o impacto da Covid-19 levará a uma maior instabilidade nos países frágeis. 

Com mais de 26 milhões de casos confirmados e 860 mil mortes cerca de um terço desses casos e fatalidades ocorrem em países afetados por crises humanitárias ou de refugiados, ou que enfrentam altos níveis de vulnerabilidade. 

Mark Lowcock disse que ainda não se conhece a dimensão total da pandemia em países frágeis, onde os níveis de teste são muito baixos e, em alguns lugares, muitas pessoas relutam em procurar ajuda se ficarem doentes. 

Para Lowcock, as instituições financeiras internacionais precisam agir agora para prevenir crises humanitárias e de segurança no futuro. Apenas 7% dos mais de US$ 143 bilhões foram investidos em economias de baixa renda.  

Pandemia  

Esse valor representa pouco mais de 2% do Produto Interno Bruto, PIB, combinado e um quinto do que esses países geram em melhor situação. 

Em abril, o Conselho endossou uma resolução do secretário-geral sobre o cessar-fogo para combater a pandemia que também previa apoiar as autoridades nacionais e proteger o pessoal da ONU. 

A decisão incluía apoiar a mitigação do alastramento do vírus, na proteção de pessoas e comunidades vulneráveis além de assegurar a continuidade operacional na implementação dos seus mandatos. 

Soldados de paz da Minusca.
ONU/Catianne Tijerina
Soldados de paz da Minusca.

 

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