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Brasil e Unodc juntam-se em campanha contra tráfico de seres humanos BR

Uma pessoa com um lenço verde claro na cabeça segura um buquê de flores cor-de-rosa em frente ao rosto.
Sibylle Desjardins / OIM Dentro do Brasil, trabalhadores migram das regiões mais pobres do país para os estados mais ricos

Brasil e Unodc juntam-se em campanha contra tráfico de seres humanos

Legislação e prevenção de crimes

Campanha visa transporte aéreo e explica como passageiros e funcionários do setor podem ajudar; aeroportos brasileiros promovem vídeos, folhetos e revistas com informações; agência da ONU dará treinamento sobre como identificar casos de tráfico, intervir e alertar autoridades.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, lançou uma iniciativa com o governo do Brasil e outros parceiros para combater o tráfico humano usando o transporte aéreo.  

O projeto “Liberdade no Ar” explica os truques dos traficantes, as razões pelas quais as pessoas se tornam vítimas e como o pessoal do aeroporto, da companhia aérea e os passageiros podem ajudar. 

Duas jovens se maquiando em uma sala pouco iluminada com um espelho. Uma mulher está no primeiro plano usando uma blusa vermelha, enquanto outra com uma blusa rosa é visível no reflexo do espelho.
As histórias apresentadas na campanha são inspiradas em casos reais, Unicef/UNI91025/Noorani

Responsabilidade 

A agência afirma que os funcionários do setor têm um papel fundamental na detecção de casos de tráfico, no apoio às vítimas e nas investigações que podem levar ao desmantelamento das redes criminosas e condenação dos responsáveis. 

O projeto vai durar os próximos quatro anos. Aeroportos em todo o país estão transmitindo vídeos e distribuindo folhetos e revistas em quadrinhos. 

Na próxima fase, os funcionários da indústria receberão treinamento do Unodc sobre como identificar casos de tráfico, intervir, alertar autoridades aeroportuárias e encaminhar os casos. 

Adolescente 

Em comunicado, a procuradora do Trabalho do Ministério Público do Brasil, Andrea da Rocha Carvalho Gondim, disse que “é essencial aumentar a conscientização sobre o tráfico de pessoas entre comissários de bordo, pessoal de terra e passageiros.” 

Gondim contou que teve a ideia do projeto ao ler sobre uma comissária de bordo americana que conseguiu resgatar uma adolescente que estava sendo traficada nos Estados Unidos.  

Segundo ela, “esta campanha é dirigida a potenciais vítimas que sejam brasileiros que saem do país, com destino a outra cidade ou estrangeiros que chegam ou transitam pelo país.” 

Unodc 

O especialista Carlos Perez afirma que o Unodc “coopera com companhias aéreas e aeroportos na identificação de vítimas desde 2016 e realiza treinamentos em toda a América Central e do Sul.” 

Ele disse que, quando as vítimas são traficadas através de companhias aéreas, o controle do traficante pode ser direto ou indireto. 

Perez conta que “ou o traficante viaja com a vítima ou existe um controle indireto, com a vítima ameaçada de alguma forma, seguindo instruções precisas, com medo de alertar as autoridades, e no destino é recebida por um membro da rede criminosa.” 

Em alguns casos, os criminosos fornecem documentos fraudulentos para a viagem. Os documentos verdadeiros e dinheiro são retidos pelo traficante e apenas devolvidos na chegada da vítima.  

Silhueta de uma jovem com as mãos levantadas em direção ao rosto, de pé à frente de uma janela com persianas verticais e sombras de plantas.
Vítimas recebem ofertas falsas de trabalho doméstico, contratos de modelo e jogador de futebol, que acabam resultando em exploração sexual e laboral, by Unicef/Pirozzi

Histórias 

A Associação Brasileira de Defesa da Mulher da Infância e da Juventude, Asbrad, é outra parceira da iniciativa, fornecendo perícia técnica. 

As histórias apresentadas na campanha são inspiradas em casos reais. São destacadas ofertas falsas de trabalho doméstico bem remunerado, contratos de modelo internacional e carreira de jogador de futebol, que acabam resultando em exploração sexual e laboral no Brasil e no exterior. 

Segundo a coordenadora da Asbrad, Graziella Rocha, “é impossível dizer o quão difundido está o tráfico de pessoas no Brasil, porque faltam estudos oficiais atuais sobre o assunto.” 

Apesar disso, ela diz que o maior número de casos identificados é para fins de exploração de mão de obra em setores como agricultura, confecções e construção civil. 

Graziella Rocha conta que os trabalhadores migram das regiões mais pobres do país para os estados mais ricos. O Unodc planeja estender a distribuição desta campanha a outros países. 

*Com reportagem do Unodc Brasil.