Especial: Vacinação em Angola quer consolidar ganhos da eliminação do vírus da pólio selvagem  
BR

4 setembro 2020

Unicef apoia imunização de 5 milhões de crianças em nova campanha até outubro; médico da agência fala à ONU News sobre logística em meio aos desafios da pandemia; gotinhas contra a pólio devem chegar a 18 províncias angolanas. 

Angola quer aumentar a imunidade das crianças menores de cinco anos para estarem melhor protegidas contra a poliomielite. Mais de 5 milhões delas são alvo de uma nova campanha que até finais de outubro vai acontecer em vários municípios.  

Em áreas selecionadas, as crianças receberão também a vacina contra o sarampo e a rubéola com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.  

"Estrelinha"

Tamanho de cada equipe de vacinadores no terreno foi cortado à metade., by Unicef Angola/OMS

A vacinação contra a pólio no país é acompanhada por uma campanha musical estrelada por Pedrito Bié. A mensagem da canção é que a vacina, conhecida por estrelinha, é boa para evitar a doença que causa paralisia infantil. 

O país de língua portuguesa quer consolidar os ganhos da recente eliminação do vírus da poliomielite selvagem. Esta etapa anunciada em agosto é considerada “um dos maiores passos contra a doença” em África.  

A ONU News conversou com o  médico Victor Ngongalah, que chefia a Seção da Saúde do Unicef-Angola. O especialista revelou detalhes da  nova fase de imunização. 

“Ela integrará a vacina da pólio inativada para crianças dos dois aos 59 meses, a vacina da pólio oral bivalente para crianças de zero a 59 meses, a vacina dupla de sarampo e rubéola para crianças de nove a 59 meses. As crianças de seis a 59 meses vão ser suplementadas com a vitamina A.” 

Suplementação 

Ngongalah diz acreditar que a vacinação de rotina deverá sustentar sempre este tipo de campanhas de combate à poliomielite. O médico camaronês atua há três anos nessa área acompanhando ações lideradas pelo governo no terreno para que a nova campanha de vacinação chegue a 18 províncias.  

 

Victor Ngongalah contou que no campo  ajuda a fortalecer a imunização de rotina em jornadas que levam quase metade do mês. Ele coordena e apoia diferentes parceiros para fazer chegar a vacina a crianças em áreas remotas. 

Em 2019, ele acompanhou um dia de campanha contra a pólio que vacinou centenas de crianças angolanas numa área do governo local.  

Sete horas 

A Comuna de Quimbundo é de difícil acesso na província da Lunda Sul. 

O médico disse que em sete horas esteve em 16 comunidades. O especialista destaca ainda que valeu a persistência em avançar que “permite não deixar crianças vulneráveis à infecção pelo vírus.” 

Mas atualmente a Covid-19 é um desafio nestes esforços. A pandemia ditou o fechamento do espaço aéreo angolano deixando o médico retido há dias na vizinha República Democrática do Congo. De lá, coordena o possível para a execução do plano. Angola tem uma grande comunidade de congoleses vivendo no país vizinho. 

Vacina  

Angola está também entre 16 nações africanas com casos do poliovírus que surge do vírus presente na vacina oral. Depois de enfraquecido, ele sofre uma mutação e circula entre populações pouco imunizadas. 

Com uma vacinação adequada contra a poliomielite, as autoridades acreditam estar garantida a proteção tanto contra a cepa selvagem como para o caso do vírus causado pela vacina.  

Os esforços do governo aliados com entidades parceiras permitiram que a 25 de agosto, África fosse declarada oficialmente livre do poliovírus selvagem. 

O anúncio da Comissão Regional de Certificação para a Erradicação da Pólio do Escritório regional da Organização Mundial da Saúde, OMS, marcou a eliminação do segundo vírus no continente após a varíola, há 40 anos.    

 

 

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