Melhorias em ação climática e sistemas alimentares podem reduzir 20% de emissões
BR

31 agosto 2020

Estudo apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e parceiros revela que mais de 90% dos compromissos assumidos no Acordo de Paris sobre o Clima falham em garantir metas na área; pesquisa cita 16 formas para legisladores agirem com políticas que vão da plantação à mesa.

 Um estudo, divulgado nesta terça-feira, revela que legisladores em todo o mundo podem ajudar a limitar o aumento do aquecimento global em 1.5oC, e mitigar os efeitos da mudança climática com políticas que transformem os sistemas de produção alimentar nacionais.   

Processo   

No documento “Aumentando as Contribuições Determinadas Nacionalmente para Sistemas Alimentares”, os autores mostram que os países estão perdendo “oportunidades importantes” para reduzir as emissões de dióxido de carbono, que causam o efeito estufa.   

A pesquisa do Fundo Mundial da Vida Selvagem, WWF, o Pnuma, Eat e o Climate Focus, apresenta ainda 16 ações que os legisladores podem tomar para transformar o processo desde a plantação dos alimentos até a chegada deles à mesa.   

Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que formam o Mercosul, devem crescer em produção agrícola e pecuária., by Unep Grid Arendal/Riccardo Pravettoni

Os autores do estudo afirmam que dietas e desperdícios de alimentos continuam sendo ignorados, mas ao adicioná-los aos planos nacionais, os legisladores podem ajudar a melhorar a mitigação e adaptação dos sistemas alimentares em até 25%.   

No Acordo de Paris, firmado em 2015, os países se comprometeram a revisar e a reapresentar suas contribuições nacionais (NDC) a cada cinco anos.  

Este ano, existe a oportunidade de adotar as soluções e abraçar metas mais ousadas para reduzir as emissões de dióxido de carbono melhorando biodiversidade, segurança alimentar e a saúde pública.   

Frota fora da rua   

Totalizados fatores como produção, processamento, distribuição, preparo e consumo de alimentos representam até 37% de toda a quantidade de emissões de efeito estufa na atmosfera.     

A economia equivaleria a uma frota de mais de 2,7 bilhões de carros fora das ruas.   

Sem mudanças nesse quadro, o mundo não conseguirá alcançar a meta de manter o aquecimento da temperatura média em até 1.5oC.   

O diretor-geral do WWF, Marco Lambertini, afirmou que metas mais ambiciosas e mensuráveis para os sistemas de produção de alimentos têm de ocorrer se o mundo quiser enfrentar a crise climática atual.    

Ele lembrou ainda que sem esta ação, não será possível atingir objetivos para proteção da biodiversidade e do clima que são o fundamento para se alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.   

Economia   

Já a chefe do Pnuma, Inger Andersen, acredita que a redução pela metade do desperdício de comida pode levar a dietas mais ricas em plantas e que esta é uma oportunidade que não se pode perder de fazer como que sistemas de produção mais sustentáveis possam ser o centro da recuperação.   

Comércio de produtos agrícolas subiu em nível global,, by Pnud Comoros/James Stapley

Dentre as 16 ações propostas pelo estudo estão a redução no uso da terra, a conversão de habitats naturais e de perdas e desperdício de alimentos.  Essas medidas poderiam levar a uma economia de 4,6 giga toneladas de CO2 por ano.    

O Pnuma afirma que apenas 11 países mencionaram perda de comidas em seus planos, mas nenhum considerou o desperdício.    

A redução de gás metano dos rebanhos é uma das propostas, assim como dietas mais saudáveis com menos consumo de alimentos derivados de animais.    

Carne   

Neste caso, a economia poderia chegar a 8 giga toneladas por ano.  Mas nenhum plano nacional até agora citou a possibilidade de dietas mais saudáveis para os consumidores.   

O estudo revela que países desenvolvidos têm menos chance que países em desenvolvimento para fornecer ações específicas de mitigação para agricultura nos planos ambientais em termos absolutos.   

A representante do Climate Focus, Charlotte Streck, afirmou que esta é uma oportunidade rara de usufruir dos benefícios do desenvolvimento sustentável. Segundo ela, menos consumo de carne, por exemplo, ajuda à saúde e melhora a segurança alimentar.   

Biodiversidade   

No próximo ano, líderes internacionais devem aprovar um novo acordo sobre pessoas e natureza durante a Conferência da Convenção da ONU sobre Diversidade Biológica. O objetivo é conter e reverter a perda da biodiversidade.   

Também em 2021, a ONU deverá organizar o seu Encontro de Cúpula sobre Sistemas de Produção de Alimentos.   

Em um de seus discursos, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a transformação dos sistemas alimentares é crucial para o alcance de todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs. 

Foto: FAO/Giulio Napolitano
Mulheres trabalham em campos agrícolas no Burundi.

 

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