OMS: Covid-19 gerou interrupções em sistemas de saúde de 90% dos países
BR

31 agosto 2020

Pesquisa sobre o impacto da pandemia no setor ouviu 105 nações em cinco regiões; maiores desafios ocorreram em países de rendas baixa e média; até esta segunda-feira, havia 25 milhões de casos e mais de 843 mil mortes. 

A Organização Mundial da Saúde, OMS, realizou um estudo com 105 países para conhecer os efeitos da pandemia sobre o atendimento durante a crise. 

Segundo a agência, 90% dos países pesquisados reportaram interrupções nos serviços de saúde por causa da Covid-19. A pesquisa foi realizada com base em dados coletados entre março e junho.   

Câncer e HIV 

Farmácia em Astoria, Queens, durante o surto de Covid-19 na cidade de Nova York.
Farmácia em Astoria, Queens, durante o surto de Covid-19 na cidade de Nova York., by ONU/Evan Schneider

Dentre os atendimentos suspensos estavam exames de rotina e seletivos. Já os exames preventivos contra câncer e terapia antirretroviral para pacientes com HIV sofreram cortes críticos e perigosos para a população afetada. 

(Leia aqui a pesquisa em inglês survey on the impact of COVID-19 on health systems

Os países de rendas baixa e média foram os mais atingidos. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que a pesquisa mostra as falhas dos sistemas de saúde e informa sobre novas estratégias para melhorar o setor durante e após essa pandemia. 

Segundo ele, a Covid-19 deve servir de lição para todos os países de que a saúde não é uma questão de escolha, e que o mundo deve se preparar melhor para emergências ao mesmo tempo que segue investindo no setor. 

O estudo mostra que, em média, os países tiveram interrupções na metade de uma série de 25 serviços primários incluindo vacinação de rotina, diagnósticos de doenças não transmissíveis e tratamento, em quase 70%.  Serviços de planejamento familiar e contracepção foram afetados em 68% seguidos de tratamento para distúrbios mentais (61%) e câncer (55%). 

Malária e tuberculose 

Alguns países também notificaram suspensões no diagnóstico e tratamento da malária (46%), tuberculose (42%) e tratamento antirretroviral (32%). Outras áreas como cuidados odontológicos foram suspensas com base nas medidas do governo. 

Na Guatemala, crianças estudam em casa, seguindo as orientações recebidas do Ministério da Educação durante a pandemia do Covid-19
Na Guatemala, crianças estudam em casa, seguindo as orientações recebidas do Ministério da Educação durante a pandemia do Covid-19., by © Unicef/Daniele Volpe

A OMS afirma que essas lacunas devem provocar efeitos de curto e longo prazos sobre os pacientes, que ficaram sem atendimento. 

A pesquisa ainda mostra que serviços vitais foram suspensos em um quarto dos países como emergência 24 horas, que foram afetadas em 22%, seguidas de transfusão de sangue em operações de emergência. 

Plataforma online 

Durante os primeiros meses da pandemia, muitos trabalhadores de saúde tiveram de ser remanejados para atender a emergência além de outros fatores que levaram às interrupções dos serviços. 

A OMS informou que vai continuar atuando com os países para fornecer apoio e tratar da lacuna causada pela Covid-19.  

A Agência está lançando uma plataforma online para troca de experiência e inovações entre os países que podem ajudar na resposta global à pandemia. 

A OMS enviou o questionário a 159 países e obteve dados de 105. Participaram funcionários-sêniores dos Ministérios e outros trabalhadores do setor. 

Comissão Europeia e Covax 

Numa nota separada, nesta segunda-feira, a Comissão Europeia informou seu interesse de se juntar à Iniciativa de Acesso Global à Vacina da Covid-19, Covax.  

O objetivo é fornecer acesso igualitário às futuras imunizações contra a pandemia em qualquer parte do mundo e para qualquer pessoa que precise. Como parte da decisão, a Comissão Europeia anunciou uma contribuição de 400 milhões de euros para a iniciativa. 

Em Joanesburgo, na África do Sul, homens desinfetam mãos como medida de combate à Covid-19
Unicef/Michele Spatari/AFP-Services
Em Joanesburgo, na África do Sul, homens desinfetam mãos como medida de combate à Covid-19

 

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