ONU: ameaças de morte a Prêmio Nobel da Paz têm de ser investigadas 
BR

28 agosto 2020

Médico congolês, Denis Mukwege, se pronunciou contra massacre de civis e exigiu responsabilização por abusos no leste da República Democrática do Congo; alta comissária de direitos da ONU, Michele Bachelet, quer ação contra ameaças feitas por telefone e em redes sociais.  

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, expressou profunda preocupação com as recentes ameaças de morte dirigidas ao Prêmio Nobel da Paz e ativista de direitos humanos Denis Mukwege. 

Em nota, a representante pede “ação rápida para investigar quem está por trás das ameaças e que os autores sejam levados à justiça” por essas ações contra o médico da República Democrática do Congo, RD Congo. 

Prêmio Nobel da Paz 

Denis Mukwege é especialista no tratamento de mulheres que foram estupradas por rebeldes armados.
Denis Mukwege é especialista no tratamento de mulheres que foram estupradas por rebeldes armados., by ONU/Alban Mendes De Leon

Mukwege foi alvo de reconhecimento internacional por ter fundado o Hospital Panzi na cidade congolesa de Bukavu, no leste. Este foi um dos feitos que lhe valeram o Prêmio Nobel da Paz de 2018. 

A alta comissária realça o trabalho de “várias décadas” em apoio a milhares de mulheres que sofreram violência sexual e de gênero no leste do país africano. Ela aponta que o médico é “um forte defensor de uma maior proteção de mulheres”. 

Na nota, Bachelet também menciona ameaças de morte dirigidas ao Prêmio Nobel no passado, e uma tentativa de assassinato que este sobreviveu em outubro de 2012.  

Ela chamou alarmante a “onda de novas ameaças” feitas a Mukwege e a membros de sua família através das redes sociais e em ligações telefônicas diretas após ele ter “condenado publicamente o massacre de civis no leste” congolês, e ter exigido a responsabilização de autores das violações e abusos dos direitos humanos”. 

Presidente da RD Congo  

Michelle Bachelet realça que a vida do médico parece estar a “correr sério risco” e elogia o compromisso público do presidente Félix Tshisekedi para garantir sua segurança. 

A expectativa da alta comissária é que Denis Mukwege e sua equipe recebam proteção das autoridades congolesas, para que seja garantido o “trabalho indispensável” que realizam no hospital de Panzi. De acordo com agências de notícias, o local atende mais de 400 mil pessoas, incluindo cidadãos de países vizinhos. 

Alta comissária de direitos humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet.
Alta comissária de direitos humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet., by Foto: ONU News/Daniel Johnson

A alta comissária pode ainda uma investigação “eficaz, rápida, completa e imparcial das ameaças”. Para Bachelet é essencial que os responsáveis sejam levados à justiça e que a verdade seja conhecida. Ela realça que assim seria protegida a vida de  Muwege, mas também inibiria as pessoas que atacam, ameaçam ou intimidam outros médicos e ativistas de direitos humanos. 

Michelle Bachelet destaca que as ações do médico e seus colegas beneficiam o povo congolês, e muitas vezes acontecem “em circunstâncias excepcionalmente difíceis” no país africano. 

Proteção  

Outro pedido da chefe de Direitos Humanos da ONU é que todas as autoridades relevantes condenem abertamente as ameaças.  

A longo prazo, Bachelet quer que as autoridades congolesas adotem o projeto de lei sobre a proteção e regulamentação da atividade dos defensores dos direitos humanos de forma “totalmente consistente com os padrões internacionais”. 

 

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