Compras online movimentaram US$ 3,5 trilhões em 2019, aponta estudo da ONU 
BR

26 agosto 2020

Quantia foi gasta por cerca de 1,9 bilhão de consumidores; força-tarefa da ONU sobre financiamento digital dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável diz que economia online deve priorizar melhoria de vida das pessoas. 

As Nações Unidas lançaram o estudo Dinheiro do povo: aproveitando a digitalização para financiar um futuro sustentável. A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira, ilustra o impacto das finanças digitais na vida dos consumidores. 

Os dados foram apresentados pelo chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, Achim Steiner. 

Resposta 

Os autores da pesquisa revelam que a pandemia gerou “uma crise social e econômica sem precedentes”, realçando o papel das finanças digitais para apoiar milhões de pessoas e empresas. 

Em 2019, cerca de 1,9 bilhão de consumidores de produtos online movimentaram US$ 3,5 trilhões. Durante a pandemia, bilhões de cidadãos utilizaram ferramentas digitais para trabalhar, consumir e se sociabilizar. 

Participantes do evento Investimento em Igualdade em Ciência, Tecnologia e Inovação na Era da Digitalização para o Desenvolvimento Sustentável.
Participantes do evento Investimento em Igualdade em Ciência, Tecnologia e Inovação na Era da Digitalização para o Desenvolvimento Sustentável., by Foto: ONU/Manuel Elias

Para a Força-Tarefa sobre Financiamento Digital dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, que elaborou o estudo, as pessoas precisam de informações antes de formar decisões que envolvem US$ 130 bilhões em compras diárias. 

Segundo a pesquisa, todos os dias os governos gastam US$ 85 bilhões, em transações na internet, que devem “refletir como os cidadãos querem que seu dinheiro seja usado”. 

Mercado 

O chefe do Pnud, Achim Steiner, disse à ONU News que durante a pandemia, a popularidade das ferramentas digitais cresceu rapidamente.  

Para ele, têm sido ultrapassados muitos limites e territórios desconhecidos e os governos estão explorando como nunca antes as possibilidades e oportunidades da vertente digital.  

Steiner enfatizou que a Covid-19 acelerou uma série de etapas da economia digital num prazo de semanas em vez de anos. Segundo Steiner, a pandemia “permitiu aos governos ver a importância de superar limitações tradicionais, identificar e alcançar os mais vulneráveis.” 

O relatório identifica cinco formas de controlar a digitalização, presente em grande parte das finanças globais. Em primeiro lugar, recomenda que o dinheiro que flui em redor do mundo precisa ser investido de forma que apoie os ODSs. 

Outras recomendações sugerem que as finanças públicas sejam mais eficazes e responsáveis, e que haja uma economia com investimentos em projetos de desenvolvimento de longo prazo com ferramentas digitais.  

“Verdadeira mudança” 

Muitas vezes recebemos mensagens de pessoas em quem confiamos, mas cuja origem ou veracidade não é possível determinar à primeira vista.
Governos gastam US$ 85 bilhões em transações na internet., by ONU News/ Elizabeth Scaffidi

O estudo estima que são alocados US$ 382 trilhões de ativos administrados por instituições financeiras e canalizados através do mercado e de capitais, que “devem ser guiados por preferências dos cidadãos.” 

Nessa realidade do alto fluxo de finanças, “as prioridades dessas pessoas não são refletidas devido a lacunas, fraquezas e distorções nas instituições e mercados.” 

Comentando o relatório, o secretário-geral da ONU António Guterres disse que tecnologias digitais, que vêm revolucionando os mercados financeiros, podem se tornar uma verdadeira mudança no cumprimento de objetivos globais. 

Para ele, a Força-Tarefa sobre Financiamento Digital dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável fornece liderança para aproveitar a revolução digital.” 

Empregos e rendimentos 

O documento realça ainda que é preciso mais financiamentos para pequenas e médias empresas, porque estas são essenciais para gerar empregos e rendimentos. 

Para os entrevistados, a crise financeira global de 2008 tornou os serviços financeiros menos confiáveis. Apesar disso, a maioria das pessoas conta com os  bancos para proteger seu dinheiro e dados.  

A pesquisa aponta ainda que a maioria dos cidadãos desconfia da forma como os governos usam seu dinheiro.  

Futuro 

O documento aponta ainda que a maioria dos pesquisados disse achar que os governos servem aos interesses de uma minoria, enquanto 30% crê que o governo está a serviço de todos. 

O estudo revelou que o comportamento dos cidadãos em relação aos gastos na “muitas vezes não reflete as suas preocupações” sobre questões como o futuro dos filhos, a desigualdade, o meio ambiente e o clima. 

O documento lembra que no fim de tudo, os cidadãos são os proprietários dos recursos financeiros do mundo. Por isso realça haver uma “oportunidade histórica” para aproveitar a digitalização colocando-os no controle das finanças para garantir que estas atendam às suas necessidades atuais e futuras. 

 

Menina de Timor-Leste mostra a plataforma online que ela usa para estudar enquanto sua escola está fechada, devido à nova pandemia de coronavírus.
Unicef/Bernardino Soares
Menina de Timor-Leste mostra a plataforma online que ela usa para estudar enquanto sua escola está fechada, devido à nova pandemia de coronavírus.

 

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