Em guia, OIT lista dividendos da educação para mercado de trabalho em tempos de pandemia 
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26 agosto 2020

Agência da ONU lançou roteiro com perguntas e respostas sobre a relação dos sistemas de educação e do mercado laboral durante e após a crise da Covid-19; foram analisados mais de 70 países incluindo várias nações de língua portuguesa.

Em todo o mundo, os países tiveram de adaptar seus sistemas de educação às restrições impostas pelas medidas de combate ao novo coronavírus. Segundo a OIT, os dados indicam que mais estudos podem influenciar a qualidade do trabalho, os salários e a quantidade da carga horária.   

Após a Covid-19, governos de todo o mundo tiveram que repensar seus sistemas educativos para minimizar os efeitos adversos sobre alunos, professores e comunidades. 

Uma melhor educação permite que os trabalhadores aumentem suas habilidades, na esperança de conseguir empregos melhores. Mas será que essa educação realmente compensa? Os trabalhadores altamente qualificados têm melhor posição no mercado de trabalho? 

Em seu blog, a Organização Internacional do Trabalho, OIT, usa novos dados para responder a várias perguntas sobre o tema. 

Quem tem acesso ao ensino superior? 

O ensino superior ainda é um privilégio disponível apenas para uma minoria. 

Os dados do OIT, mostram que, na maioria dos países, grande parte da força de trabalho não completou nenhum curso superior. 

Além disso, o nível de escolaridade dos trabalhadores está vinculado ao nível de renda nacional. Quanto mais rico o país, maior a proporção de empregados com  nível superior. 

Felizmente, o nível educacional da força de trabalho está aumentando, com as gerações mais jovens alcançando patamares educacionais mais elevados do que os de gerações anteriores. 

Até que ponto, o nível educacional protege do desemprego? 

Na verdade, em 82% dos países de baixa renda e em 70% das nações de renda média baixa, a taxa de desemprego é maior para aqueles com curso superior do que para o que têm apenas o nível básico de escolaridade. 

Mas nos países mais desenvolvidos, o quadro é diferente: em apenas 31% das nações de renda média alta e 16% dos países de renda alta as pessoas com mais estudos têm chances mais frequentes de enfrentarem o desemprego.  

Em outras palavras, trabalhadores com alto nível de escolaridade têm mais probabilidade de ficar desempregados em países de baixa renda do que em países de alta renda. 

Pessoas com curso superior têm maior probabilidade de serem assalariadas ou trabalhar por conta própria? 

Em 87% dos países, a proporção de empregados é maior entre as pessoas com nível avançado do que entre aquelas com nível básico. 

Na verdade, trabalhadores com mais estudos têm tendência muito elevada para serem assalariados em quase todos os países analisados. 

Por outro lado, em países de baixa renda, o emprego remunerado é muito menos comum e os trabalhadores com nível básico de instrução, raramente, conseguem assegurar empregos remunerados. 

Outro aspecto importante da qualidade do trabalho é se a atividade é formal ou informal. Os dados da OIT mostram uma forte correlação entre o nível de escolaridade e o acesso a empregos formais. 

Em todos os países com dados disponíveis, os trabalhadores com mais instrução avançada apresentam taxas de informalidade muito mais baixas. Ou seja, em países pobres e ricos, a educação facilita o acesso dos trabalhadores a empregos formais. 

O nível de educação afeta a carga horária? 

Quanto mais alto o nível educacional, maior a média de horas de trabalho por semana. Segundo os dados da OIT, isso é verdade em todo o mundo, independentemente do nível de renda do país. 

Na maioria dos países, são os trabalhadores com escolaridade avançada ou intermediária que trabalham mais horas por semana, em média. Além disso, em 68% dos países, as pessoas com nível educacional básico ou inferior geralmente trabalham menos horas por semana. 

Em relação aos países lusófonos, em Angola, uma pessoa que não concluiu o ensino básico trabalha em média 50 horas semanais. Já quem tem curso superior passa 55 horas trabalhando. 

No Brasil, a diferença passa de 36 horas para as pessoas com menos estudos a 40 horas para os trabalhadores que concluíram universidade. Em Cabo Verde, essa margem é de 37 horas para 40 horas, e em Timor-Leste de 41 para 44 horas.  

Em Portugal, uma pessoa que não concluiu o ensino básico passa em média 29 horas trabalhando. Já um empregado com curso superior deposita 40 horas semanais no trabalho. 

Qual a conclusão desses dados? 

A OIT diz que, em países de baixa renda, trabalhadores altamente qualificados podem ter mais dificuldade em encontrar emprego, porque existem pouco postos de trabalho qualificados, mas quando isso acontece, provavelmente será um emprego de qualidade. 

Os cidadãos desses países podem invejar as taxas de desemprego mais baixas dos trabalhadores menos qualificados, mas isso é compensado em termos de qualidade empregatícia. 

Trabalhadores com alto nível de escolaridade tendem a ganhar mais, trabalhar mais horas e ter maior probabilidade de serem empregados formais. 

Por outro lado, em países de alta renda, pessoas com menos estudos estão mais expostas ao desemprego e a empregos com pouca qualidade. 

Estes cidadãos têm mais probabilidade de perderem o emprego do que os trabalhadores com alto nível de escolaridade e, quando estão trabalhando, têm menos probabilidade de ter empregos formais remunerados. 

Em termos gerais, a OIT afirma que “quanto maior o nível de escolaridade do trabalhador, melhores são as suas condições de trabalho.” Para a agência, a educação compensa na hora de adentrar o mercado de trabalho. 

 

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