Impacto do teletrabalho na pandemia foi negativo em pequenas empresas africanas, diz estudo

26 agosto 2020

Avaliação da Comissão Económica para a África examinou efeitos da Covid-19 nas atividades empresariais; previsões apontam para a queda de receitas e aumento de despedimentos nos próximos tempos. 

A Comissão Económica da ONU para a África, ECA, e a Consultoria Económica Internacional lançaram o relatório da segunda pesquisa inclusiva sobre a Covid-19 e o seu impacto no continente. A sondagem online ocorreu em meados de julho.

O foco da pesquisa foram os efeitos da pandemia sobre as atividades das empresas, os desafios e as reações à crise. Os resultados destacam a redução de oportunidades para encontrar novos clientes; queda na procura e fraca circulação de dinheiro.

Desafios

Mulheres africanas tendem a trabalhar mais em micro, pequenas e médias empresas., by © Acnur/Omotola Akindipe

O estudo indica que as companhias enfrentam graves roturas de fornecimento e do mercado e aponta a deslealdade nos preços como a maior preocupação dos homens de negócio. 

Quanto à assistência do governo, as empresas apresentaram um parecer misto com cerca de dois terços, apontando desde o nível moderado ao não satisfatório. 

Dois terços das empresas disseram ter identificado novas oportunidades com a crise. Para o especialista de Assuntos Económicos da ECA, Simon Mevel, é um tema interessante que as firmas envolvidas em bens e micros, pequenas e médias empresas estejam exibindo maiores feitos.

As oportunidades apontam para uma mudança clara face as novas tecnologias com o desenvolvimento de plataformas do comercio eletrónico. Enquanto a atual participação nas receitas do comércio digital continua pequena com 16%.

Migração digital

Quase metade, ou 47% das companhias, estão movendo ou planeiam mover-se para soluções inovadoras ou digitais.

Segundo a pesquisa, 50% dos inquiridos aproximaram-se de instituições financeiras. Um quarto deles tiveram respostas positivas e 42% não estiveram satisfeitos com o serviço. 

Os motivos seriam a elevada taxa de juros, atrasos e requisitos colaterais num momento em que as companhias estão trabalhando em cerca de metade da sua capacidade.

O inquérito faz prever uma queda de receitas das empresas em cerca de 18% em 2020, comparado ao ano passado. Os despedimentos deverão subir 20% nos próximos três meses. 

Teletrabalho

O estudo realça que a situação poderia ter sido pior se 27% dos funcionários não fossem capazes de trabalhar à distância. 

De acordo com o estudo, as opções do teletrabalho tiveram um impacto negativo, sobretudo sobre as pequenas empresas que lidam com os bens em relação às grandes companhias do setor de serviços.

Em relação ao género, as mulheres tendem a trabalhar mais em micro, pequenas e médias empresas lidando com os bens. Esse facto tornaria este grupo mais vulnerável ao despedimento do que os homens.
 

 

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