25 agosto 2020

Medidas contra a pandemia e rumores desencorajando aplicação da vacina não impediram alçance de metas em julho; plano da Organização Mundial da Saúde prevê certificar região africana da erradicação do poliovírus selvagem ainda este mês. 

Até o fim deste mês, a Organização Mundial da Saúde em África deve certificar a erradicação do poliovírus selvagem na região africana. Em Angola, a campanha de imunização segue apesar das barreiras impostas pelas medidas de combate ao novo coronavírus. Um dos maiores amigos da iniciativa é o músico Pedrito Bié, que assina a canção que está a mover a campanha “Estrelinha é Kuia" que significa “estrelinha é coisa boa”.  

As autoridades contam que mais de 1 milhão de crianças foram alcançadas pela iniciativa em andamento em mais de 30 municípios.  Em Luanda, a capital e maior cidade do país, a imunização foi adiada para dar maior atenção à vigilância contra a pandemia

Esforços 

Tamanho de cada equipe de vacinadores no terreno foi cortado à metade., by Unicef Angola

Falando em nome do governo angolano, a epidemiologista Alda de Sousa da Direção Nacional da Saúde Pública, diz que participa nesses esforços há 30 anos e durante esse tempo nenhum desafio foi comparado ao atual. 

“Nós já começamos a relançar estratégias inovadoras, no sentido de o mais rapidamente possível, nós passarmos com a circulação do vírus da pólio. Mesmo no contexto da epidemia de Covid-19 recentemente, nos acabamos de realizar uma campanha de imunização na região sul, e tempos em carteira ainda outras rondas subsequentes como o reforço da vigilância epidemiológica.” 

A voz do pequeno Pedrito Bié vem inspirando, com sua canção, a atuação de 4,3 mil mobilizadores sociais empenhados em vacinar crianças entre zero e 59 meses das províncias de Huíla, Huambo, Cunene, Namibe, Cuando Cubango.  

A circulação comunitária da Covid-19 tem desafiado a ação desses heróis no terreno, mas a vacinação foi concluída em 91% dos menores visados. Com  apoio da ONU, mais de 3 milhões de pais e milhares de líderes locais foram alcançados. 

Vacinadores 

Volol Belalahy lidera o Programa Comunicação para Desenvolvimento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. Ela contou à ONU News como as visitas de casa em casa são feitas pelos vacinadores contra a poliomielite. 

A especialista destaca que é preciso realizar a mobilização social, aumentar a consciência dos mais velhos sobre a vacina e informar à população sobre a campanha. O Unicef apoia a componente de mobilização social das campanhas de vacinação contra a poliomielite por meio dos milhares destes mobilizadores sociais e do engajamento com os líderes comunitários, como religiosos e autoridades locais, para que promovam a vacina em suas respetivas comunidades. 

 

O esforço coordenado entre agências da ONU e as autoridades angolanas pretende garantir que nenhuma criança no país e no continente volte a ficar paralisada pelas variantes de pólio vírus: a selvagem ou derivada de vacina. 

A epidemiologista Alda de Sousa explica que episódios recentes chamaram a atenção para apertar as medidas de prevenção. 

 “Atualmente temos grandes desafios com o registo de vários casos de vacina circulante que Angola tem vivido deste o ano 2019. O grande desafio é pararmos com o vírus da pólio num contexto que não é muito fácil. Nós já começamos a relançar iniciativa.” 

Mobilizadores 

Em parceria com o governo de Angola, o Unicef garante que mobilizadores sociais adotem práticas de higiene nas visitas: lavam as mãos, mantêm o mínimo de distância entre as pessoas, fornecem água e sabão aos trabalhadores da linha de frente como vacinadores e mobilizadores. 

Essa atitude junta-se os esforços para melhorar o acesso à água. A aposta é prevenir não só que se espalhe a Covid-19, mas também que se disseminem a cólera, as diarreias e a própria poliomielite, que é transmitida ainda de forma fecal-oral. 

O tamanho de cada equipe no terreno foi cortado à metade: somente uma pessoa exerce tarefas de mobilizador social e vacinador durante a imunização oral contra a poliomielite em tempo da Covid-19. 

Volol disse que o trabalho humanitário está ficando cada vez mais complexo no contexto da pandemia. Ela destaca que “na verdade, se estão enfrentando vários desafios e um deles é a barreira operacional com as restrições de movimento que limitam a capacidade de chegar e alcançar cada criança com as intervenções da agência.” 

Vacina  

Os trabalhadores de campo não devem ser contaminados nas comunidades que atendem e a circulação de rumores que podem levar a rejeitar a aplicação da vacina.  

Mesmo atuando com menos trabalhadores no campo, continuar a ação em Angola poderá ajudar a realizar a certificação africana em agosto. A acontecer, o continente será a quinta das seis regiões da OMS a ser declarada livre da pólio selvagem.  

A região africana terá ainda que lidar com a questão dos surtos de pólio derivados de vacinas, ainda em circulação, para que a doença deixe de ser considerada uma emergência de saúde pública de preocupação internacional.  

Essas cepas são raras e podem surgir em áreas marcadas pela baixa imunidade populacional também paralisa crianças e são alvos da ação das entidades da ONU e parceiros ao lado de governos africanos nos esforços para impedir sua circulação. 

Livres da pólio 

Países como Camarões, República Centro-Africana, Nigéria e Sudão do Sul já cumpriram os requisitos que permitirão que sejam declarados livres da pólio selvagem.  

A Nigéria, o último país endêmico desta cepa de poliovírus, não registrou novos casos por três anos e esse fato aproxima o continente do novo marco de combate à doença.   

Unicef Angola/OMS
Unicef destaca que restrições de movimento limitam a capacidade de alcançar cada criança.

 

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