ONU pede ajuda para mais de 300 mil pessoas afetadas por cheias no Iêmen 
BR

21 agosto 2020

País, que já enfrenta a maior crise humanitária do mundo, tem 80% de sua população precisando de assistência; crise da Covid-19 agravou situação dos iemenitas.

Cerca de 300 mil pessoas no Iêmen perderam suas casas, colheitas, rebanhos e pertences nos últimos três meses devido a chuvas torrenciais e inundações no país.  

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, informou que as enchentes vieram agravar uma situação já crítica para os iemenitas que vivem a pior crise humanitária do mundo. 

Vítimas 

Falando a jornalistas em Genebra, o porta-voz do Acnur, Andrej Mahecic, disse que entre as vítimas estão deslocados pelo conflito civil. 

As áreas mais afetadas incluem Marib, Amran, Hajjah, Al Hudaydah, Taizz, Lahj, Aden e Abyan, onde as enchentes mataram pelo menos 148 pessoas nos últimos dois meses.  

Em Hababa, o rompimento da barragem de Al-Roone levou ao lançamento descontrolado de 250 mil metros cúbicos de água, afetando milhares de pessoas em áreas onde vivem deslocados internos. 

Muitos já viviam na pobreza, em abrigos superlotados e improvisados que foram arrastados ou sofreram graves danos. 

Agora, são forçadas a se abrigar em mesquitas, escolas ou com parentes, ou a viver ao relento, em prédios abandonados, alguns dos quais estão em risco de desabamento. 

Crise 

Muitas das vítimas também já lutavam para sobreviver, com falta de trabalho e dificuldades para pagar uma refeição por dia para suas famílias. 

Segundo o porta-voz do Acnur, “os níveis de desespero estão aumentando enquanto a pior crise humanitária do mundo vai piorando.” 

A agência está profundamente preocupada com o fato destas comunidades serem extremamente vulneráveis ​​à pandemia de Covid-19. 

Quase 4 milhões de deslocados internos, repatriados, refugiados e requerentes de asilo dependem de ajuda humanitária para sobreviver

Muitos iemenitas não têm chance de praticar distanciamento social e têm dificuldades de acesso a água potável. Além disso, a infraestrutura de saúde do país está gravemente danificada pelo conflito 

Riscos 

Milhares de pessoas ainda podem ser afetadas, porque a estação chuvosa deve continuar. A capacidade de muitas barragens está chegando ao limite e algumas estão em más condições devido ao abandono nos últimos anos por causa do conflito. 

Em Marib, a barragem já atingiu o limite e existe o risco de destruir o local onde vivem milhares de deslocados internos.  

O Acnur está prestando apoio de emergência, como cobertores e colchões, para milhares de pessoas. Junto com parceiros, também está aumentando a conscientização sobre medidas de proteção e prevenção da Covid-19. 

Apesar desses esforços, a agência continua tendo um problema de financiamento. Os estoques de itens de abrigo e socorro de emergência acabarão em algumas semanas. 

Depois de mais de cinco anos de conflito, mais de 80% da população do Iêmen precisa de assistência. Quase 4 milhões de deslocados internos, repatriados, refugiados e requerentes de asilo dependem de ajuda humanitária regular para sobreviver. 

 

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