Acnur dará apoio imediato para 100 mil pessoas afetadas por explosão em Beirute 
BR

21 agosto 2020

Chefe da agência da ONU concluiu visita de quatro dias ao país; Unicef diz que metade das crianças atingidas pela explosão indicam sinais de trauma e alterações de comportamento.

O alto comissário da ONU para Refugiados, Acnur, anunciou uma ajuda imediata a mais de 100 mil pessoas afetadas pela explosão, que arrasou a capital do Líbano, Beirute, no último dia 4. 

Filippo Grandi, que concluiu uma visita de quatro dias ao Líbano, disse que “a situação é muito difícil”, destacando os desafios da crise econômica, da pandemia de Covid-19 e do impacto do conflito na Síria, o país vizinho. 

Filippo Grandi visita Beirute depois de explosão no porto da cidade, Acnur

Necessidades 

Para Grandi,  “todos têm um papel a desempenhar” e as pessoas  não podem dormir ao relento sem teto e privacidade, expostas à insegurança alimentar, falta de água e medicamentos. 

O Líbano acolhe o maior número de refugiados per capita do mundo, recebendo refugiados palestinos, iraquianos e sírios há décadas.  

O alto comissário diz que a comunidade internacional não pode abandonar o país nessa hora. 

Resposta 

O Acnur alocou US$ 35 milhões para sua resposta de emergência US$ 32,6 milhões para abrigos e US$ 2,4 milhões para atividades de proteção nos próximos três meses. 

Durante a visita, Grandi encontrou-se com o presidente do país, Michel Aoun, e outras  autoridades.  

Ele também se reuniu com famílias de refugiados. Nos últimos meses, como resultado da crise econômica e da Covid-19, a proporção de refugiados vivendo abaixo da linha de extrema pobreza saltou de 55% para mais de 75%. 

Grandi visitou a área portuária onde ocorreu a explosão  e contou “foi chocante ver em primeira mão a escala da destruição”, destacando a resiliência das famílias, que “apesar de tudo, continuam determinadas a reconstruir suas casas e suas vidas.” 

Como resultado da crise econômica e da Covid-19, a proporção de refugiados vivendo abaixo da linha de extrema pobreza saltou de 55% para mais de 75%

Crianças  

Também esta sexta-feira, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, informou que cerca de metade das crianças afetadas pela explosão estão mostrando mudanças de comportamento ou sinais de trauma ou estresse extremo. 

Falando a jornalistas em Genebra, a porta-voz da agência, Marixie Mercado, disse que o apoio psicossocial é uma grande prioridade para o Unicef. 

Os sinais são de ansiedade severa, quietude ou afastamento dos pais e famílias, pesadelos, dificuldade para dormir e comportamento agressivo. Um terço das famílias também relatou sintomas negativos entre os adultos. 

A porta-voz afirmou que “as necessidades são imensas” e que “muitas crianças precisarão de apoio psicossocial urgente e contínuo para lidar com o trauma da explosão.” 

Além desses efeitos na saúde mental, 159 escolas públicas e privadas e 20 escolas técnicas e vocacionais, que servem 50 mil crianças e jovens, sofreram danos.  

Até o momento, o Unicef e parceiros já reconectaram mais de 60 edifícios ao sistema público de água e instalaram 109 tanques de água em residências danificadas. 

Também trouxeram três remessas de suprimentos humanitários, incluindo US$ 3,5 milhões em equipamentos de proteção individual.  

Para continuar esta resposta, a agência precisa de US$ 46,7 milhões nos próximos três meses.  

 

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