Relator para o Mali exige libertação de presidente após golpe de Estado 
BR

21 agosto 2020

Em comunicado, Alioune Tine, disse que líderes da operação devem restaurar Estado de direito; líder do país africano, Ibrahim Boubacar Keita, está detido desde 18 de agosto com outros membros do governo.

O especialista em direitos humanos* da ONU no Mali disse que os líderes do golpe de Estado contra o país africano devem libertar o presidente Ibrahim Boubacar Keita e outros integrantes do governo presos durante a operação militar. 

Em comunicado, Alioune Tine, condenou a intervenção de 18 de agosto e disse que a integridade do presidente e todos os detidos assim como de suas famílias deve ser respeitada. 

Alioune Tine pediu a todas as autoridades malianas que respeitem as liberdades fundamentais e passem o poder aos civis para restaurar o Estado de direito
Alioune Tine pediu a todas as autoridades malianas que respeitem as liberdades fundamentais e passem o poder aos civis para restaurar o Estado de direito, Minusma/Mikado FM

Proteção 

Ele pediu aos membros da Comissão Nacional para Salvação do Povo, o grupo que realizou as detenções, para suspender imediatamente a prisão. 

O especialista pediu a todas as autoridades malianas que respeitem as liberdades fundamentais e passem o poder aos civis para restaurar o Estado de direito, e  assegurar a proteção de pessoas e propriedades no Mali. 

Tine expressou sérias preocupações com informações de que quatro indivíduos foram assassinados e 15 outros feridos pela Guarda Nacional na noite de 18 de agosto. Ele disse que todos os responsáveis devem prestar contas às autoridades de justiça do Mali. 

Para o relator, é interessante notar que o golpe começou na cidade de Kati, que tem tropas estacionadas, perto da capital Bamako. O mesmo ocorreu em 2012, durante um outro golpe que tirou do poder Amadou Toumani Touré, levando à crise política que perdura até hoje.

História

Presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, durante Assembleia Geral, em Nova Iorque, em 2018
Presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, durante Assembleia Geral, em Nova Iorque, em 2018, ONU/Daniela Gross

O especialista em direitos humanos afirma que isso deveria levar todos os atores nacionais e internacionais a refletir sobre como reforçar as estruturas do Estado maliano para evitar que a história se repita. 

Para ele, essa situação tem resultado em violações sistemáticas e violações contínuas dos direitos humanos com conflitos intercomunitários. 

Alioune Tine elogiou os esforços da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, Cedeao, e do resto da comunidade internacional incluindo o Conselho de Segurança, na tentativa de encontrar soluções políticas para a crise no Mali. 

Mesmo assim, o especialista acredita que os mecanismos utilizados devem ser reforçados para evitar, prevenir e resolver crises similares no Oeste da África. 

Ele finalizou pedindo a todas as pessoas no Mali, sejam líderes políticos, militares ou civis, que exerçam moderação e adotem um diálogo profundo para restaurar  paz, a estabilidade e o respeito pelos direitos humanos no país.  

*Os relatores e especialistas em direitos humanos são independentes da ONU e não recebem salário por sua atuação.

 

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