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Relator pede a governos que suspendam ordens de despejo durante pandemia  BR

Refugiados transportam seus pertences em um caminhão enquanto fogem da zona de conflito em Idlib, na Síria.
Ocha Cidade síria de Idlib. Especialista disse que lançar as pessoas na rua também aumenta o risco de contaminação.

Relator pede a governos que suspendam ordens de despejo durante pandemia 

Saúde

Em comunicado, especialista sobre direto à moradia, Balakrishnan Rajagopal, diz que mais de 11 mil pessoas já foram expulsas de suas casas no Brasil e no Quênia; para ele, países em todo o mundo têm que decretar moratória porque na pandemia, as pessoas não tem aonde ir. 

 A garantia de não ser despejado de casa deve ser central em qualquer estratégia de resposta à pandemia. A declaração é do relator especial* sobre o direito à moradia, Balakrishnan Rajagopal. 

Em comunicado, ele alertou para o que chamou de um “tsunami iminente de despejos” ao redor do mundo durante a pandemia. Ele pediu que todas as ordens de expulsão sejam suspensas até o final da crise global. 

Perda 

Vista aérea da cidade de Porto Príncipe, Haiti, mostrando a densa área urbana, o litoral e o porto, com montanhas ao fundo.
Port-au-Prince, capital do Haiti., by Minujusth/Leonora Baumann

Rajagopal disse que o número de despejos tem crescido. Segundo ele, mais de 11 mil pessoas no Brasil e no Quênia foram forçadas a deixar suas casas. 

O especialista afirma que a perda do lar durante a pandemia pode significar perder a vida, uma vez que ambos os direitos estão diretamente ligados. 

O relator contou que a relocação é uma ameaça em países como Haiti e tem crescido em outras partes do mundo, num perigo que se tornou global. 

Com a pandemia, muitas nações decidiram proibir ordens de despejo, mas a suspensão está se esgotando em várias partes. Para Rajagopal, com o desemprego causado pela Covid-19, os governos terão de garantir a permanência das pessoas em suas casas porque elas não têm mais como pagar o aluguel ou a hipoteca da moradia. 

Moratória 

Fumaça sobe de prédios de tijolos na favela de Paraisópolis, em São Paulo, Brasil.

E ele acrescenta que a moratória também tem de valer para cidades que estão proibindo os abrigos para pessoas sem teto. 

O relator explicou que despejos forçados são uma violação ultrajante dos direitos humanos incluindo o direito à moradia adequada, especialmente durante a pandemia quando as pessoas são obrigadas a ficar em casa confinadas como medida de prevenção da doença.  

O especialista disse que lançar as pessoas na rua também aumenta o risco de contaminação. 

Rajagopal pediu a todos os países que cumpram suas obrigações com os direitos humanos e assegurem que ninguém será colocado numa posição de vulnerabilidade à Covid-19. 

Ele afirma que indivíduos, famílias e comunidades que já foram despejadas devem ter acesso à justiça. Ele pediu aos governos que sigam as diretrizes sobre despejos forçados durante a pandemia que foram divulgadas pelo seu antecessor no posto de relator. 

*Os relatores especiais são independentes das Nações Unidas e não recebem salário por sua atuação. 

Vista aérea da cidade de São Paulo, Brasil, mostrando uma densa paisagem urbana com inúmeros edifícios altos e uma rodovia movimentada.
Diogo Moreira/Governo de Sao Paulo Brasil foi um dos 13 países que fizeram parte da operação