ONU pede maior coordenação de comércio transfronteiriço em África para combater Covid-19
BR

12 agosto 2020

Comissão Econômica para a África diz que pandemia destacou problemas nas fronteiras do continente que dificultam desenvolvimento econômico; novo relatório afirma que crise de saúde pode ser oportunidade para resolver problemas antigos.

A Comissão Econômica para a África, ECA, está pedindo que os Estados-membros facilitem o comércio transfronteiriço no continente através de uma resposta coordenada à Covid-19.

Em um novo relatório, a ECA avalia todas as restrições e regulamentações existentes, oferecendo orientação sobre um equilíbrio apropriado entre conter a propagação do vírus e facilitar o comércio.

Em Joanesburgo, na África do Sul, homens desinfetam mãos como medida de combate à Covid-19, by Unicef/Michele Spatari/AFP-Services

Adaptação 

Em comunicado, o diretor da Divisão de Comércio e Integração Regional, Stephen Karingi, disse que a Covid-19 pode se tornar o "novo normal" por algum tempo. 

Por isso, os governos devem se adaptar e inovar para facilitar novas formas "seguras" de comércio entre os países. Manter estes fluxos será crucial para manter acesso a alimentos essenciais e itens médicos e para limitar os impactos negativos sobre empregos e pobreza.

Restrições 

Quase todos os países africanos impuseram vários graus de restrições ao movimento transfronteiriço de mercadorias e pessoas, incluindo suspensão de voos internacionais, requisitos de quarentena e fechamento de fronteiras terrestres e marítimas.

Também se exigem testes obrigatórios, higienização de caminhões, limitação do número de membros da tripulação e designação de áreas de descanso em trânsito.

Essas restrições ajudaram na batalha contra a pandemia, mas também tiveram impactos negativos sobre a atividade econômica.

Para ultrapassar esses desafios, os países africanos devem cooperar para harmonizar os seus regulamentos e reduzir os atrasos.

Soluções 

Um certificado de teste comum para motoristas, por exemplo, facilitaria a movimentação de pessoal com o mínimo de interferência possível

A ECA diz que esse trabalho deve ser feito criando comitês de coordenação regional. Além disso, os esforços devem ser coordenados em nível continental por meio da União Africana, que deve produzir um protocolo comum.

Um certificado de teste comum para motoristas, por exemplo, facilitaria a movimentação de pessoal com o mínimo de interferência possível.

Nos últimos meses, os novos regulamentos causaram confrontos entre motoristas e autoridades de fronteira, e até mesmo disputas que exigiram intervenção diplomática.

O papel das soluções digitais também não deve ser esquecido. Sistemas de rastreamento eletrônico de carga, assinaturas e documentos eletrônicos e o uso de sistemas bancários móveis e de pagamento podem ajudar a apoiar o comércio seguro e eficiente. 

Oportunidade

Segundo o relatório, a pandemia aumentou as ineficiências nas fronteiras de África, mas representa agora uma oportunidade para reforçar os esforços para facilitar o comércio no continente.

A ECA diz que a Covid-19 “aumentou a urgência de fazer melhor e encontrar soluções inovadoras.” Essas soluções devem ser mantidas e atualizadas no final da crise de saúde, para reduzir os custos de comércio, aumentar a competitividade e tornar este setor da economia mais resistente a choques no futuro. 

 

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